O grupo parlamentar do Chega questionou esta segunda-feira o Governo sobre os apoios aos agricultores e produtores pecuários afetados pela tempestade Kristin, especialmente acerca das medidas a implementar em explorações que se encontram sem água, eletricidade ou alimentação para os animais.
As preocupações foram expressas em um conjunto de questões assinadas pelos deputados do Chega Pedro Pinto, Pedro dos Santos Frazão, João Graça, João Lopes Aleixo, Ana Martins e Ricardo Moreira e enviadas ao ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, através do parlamento.
Na pergunta, à qual a agência Lusa teve acesso, os parlamentares destacam que a tempestade que atingiu principalmente a região centro do país causou danos significativos às culturas agrícolas, com a chuva provocando o transbordo de rios e o alagamento de campos, e o vento “arrancando árvores pela raiz”.
“A situação nas explorações pecuárias também é crítica. Sem eletricidade, água ou acesso a ração, muitos produtores enfrentam o desespero diante da possibilidade de não conseguirem manter os animais vivos”, enfatizam os deputados no documento.
Os parlamentares ressaltam ainda que as empresas na região “ficaram completamente devastadas”, especialmente nas áreas mais florestais, onde predominam instalações de suinicultura, e onde as consequências da tempestade foram descritas como “absolutamente catastróficas”.
“Os animais estão a morrer à fome”, alertam.
Na questão enviada ao ministro José Manuel Fernandes, os deputados do Chega também mencionam as medidas que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou no domingo, envolvendo a disponibilização de 2,5 mil milhões de euros para enfrentar os problemas causados pela tempestade e a decisão do Governo, em Conselho de Ministros extraordinário, de prorrogar a situação de calamidade até 8 de fevereiro.
Nesse contexto, os deputados buscam informações sobre a situação atual das explorações agrícolas e pecuárias afetadas pela tempestade Kristin e quais apoios financeiros ou logísticos o Governo pretende oferecer aos produtores prejudicados.
Os deputados do Chega questionam ainda se “há planos para reconstruir rapidamente infraestruturas críticas”, como as instalações de suinicultura e sistemas de irrigação, e que “medidas de emergência” estão sendo implementadas para ajudar produtores sem eletricidade, água ou ração para os animais.
Nove pessoas perderam a vida desde a semana passada em decorrência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin, além de uma outra vítima mortal anunciada pela Câmara da Marinha Grande, que se somou a três óbitos registrados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação devido a um gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes ou condicionamentos nas estradas e serviços de transporte, especialmente nas linhas ferroviárias, o encerramento de escolas e interrupções de serviços de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal, que resultou em várias centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.
O Governo decretou situação de calamidade até o próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um conjunto de medidas de apoio que pode chegar a 2,5 mil milhões de euros.
