Um projeto que introduz uma nova abordagem terapêutica para a doença de Alzheimer e outras condições neurodegenerativas foi agraciado com o Prémio Inovação Bluepharma na Universidade de Coimbra (UC), conforme anunciado esta terça-feira.
O líder do projeto, Nuno Apóstolo, do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da UC, afirmou que a iniciativa “tem como objetivo investigar novas formas de tratamento para combater ou desacelerar as doenças neurodegenerativas”, durante a cerimônia de premiação que ocorreu na Sala do Senado da UC.
A equipe de pesquisa identificou um mecanismo biológico inexplorado até o momento, que pode ser crucial para a entrada da proteína tau patológica nos neurônios e sua propagação no cérebro. Além disso, estão desenvolvendo uma estratégia terapêutica que visa bloquear este processo, evitando que a tau seja absorvida pelas células nervosas e interrompendo a disseminação da doença.
“Em laboratório, observamos que nas células tratadas com IgLon5 houve uma redução na captação e na internalização da proteína tau tóxica, em comparação com células que não receberam esse tratamento”, explicou.
O pesquisador destacou que a estratégia se concentra na “estrutura IgLon5, buscando desenvolver moléculas que possam potencializar esta função protetora, atuando como um bloqueio fisiológico para impedir a entrada e disseminação desses agregados tóxicos”.
Durante sua apresentação, Nuno Apóstolo enfatizou que o objetivo é “semeando uma solução inovadora” e, tanto a curto quanto a longo prazo, trazer um impacto científico através da divulgação e publicação dos resultados, além de promover mudanças na inovação clínica, validando esta nova abordagem no tratamento de doenças neurodegenerativas e reduzindo o impacto altamente negativo desta condição na sociedade.
Conforme os dados apresentados pelo pesquisador, cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de doenças neurodegenerativas, com um custo de 130 bilhões de euros anuais apenas na Europa.
O projeto conta com a colaboração de três equipes formadas por Nuno Apóstolo e Luís Ribeiro (MIA-Portugal), Rui M. Brito (Centro de Química de Coimbra) e Irina Moreira (Centro de Neurociências e Biologia Celular – UC/PURR.AI).
Na cerimônia de premiação, o reitor da UC, Amílcar Falcão, destacou que o campo do projeto vencedor é “absolutamente emergente”, ressaltando o “sério problema do envelhecimento global”, especialmente na Europa e em Portugal.
“Se conseguirmos identificar alvos terapêuticos que possam contenção do processo neurodegenerativo, estaremos contribuindo para o envelhecimento saudável. Assim, este projeto representa uma área emergente de estudo sobre o cérebro e as patologias neurodegenerativas, para a qual atualmente existem poucas soluções,” afirmou.
O projeto premiado receberá um prêmio monetário de 20 mil euros, que pode ser complementado por um investimento adicional de 30 mil euros em uma fase posterior para apoiar o avanço da tecnologia.
Nesta edição do Prémio Inovação Bluepharma da UC, foram apresentados 12 projetos.
A cerimônia contou ainda com a presença do CEO da Bluepharma, Sérgio Simões, e do presidente do júri, Fernando Seabra Santos.
Com periodicidade bienal, o Prémio Inovação Bluepharma/UC tem como objetivo reconhecer projetos científicos de excelência nas Ciências da Saúde, com alto potencial de transformação em produtos ou serviços inovadores, promovendo a transferência de conhecimento que beneficie a sociedade.
