Nas últimas 24 horas, com a chuva fraca quase sem interrupções, o caudal do rio Mondego aumentou, atingindo, às 14h00 de hoje, 1.741 m3/s, o que representa um acréscimo de 477 mil litros por segundo em relação ao mesmo horário de segunda-feira.
A bacia do Mondego está novamente em alerta de cheias – o nível menos grave, sendo o mais severo a situação de risco – embora quatro pontos a montante de Coimbra exijam atenção especial.
Na estação hidrométrica da Ponte do Cabouco, no rio Ceira (afluente do lado esquerdo do Mondego), às 16h00 registrou-se uma altura de água de 4,47 metros, bem acima do mínimo de 3 metros que indica risco, com um caudal de 193 m3/s.
A ponte da Conraria, também no rio Ceira e a pouco mais de um quilómetro da foz, apresentou, às 16h15, uma altura de água de 6,46 metros (1,46 metros acima do nível de risco que é de 5 metros) e um caudal de 471 m3/s, que está a exercer uma pressão adicional sobre o caudal da Ponte Açude de Coimbra.
A ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, voltou a estar em situação de risco, apresentando, às 16h00, um caudal correspondente a 3,88 metros de altura.
Quanto à barragem da Aguieira, que no final da semana passada estava com 84% de volume de armazenamento e caiu para 71% durante o fim de semana até a manhã de hoje, já subiu novamente, alcançando, às 16h00, os 75%.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem realizado uma gestão controlada das cheias, elogiada por agricultores e autarcas do Baixo Mondego, para evitar o rompimento das margens do Mondego, o que ocorreu em 2001 com consequências desastrosas e, mais recentemente, em 2019, quando a cheia afetou apenas a margem direita.
Apesar dos esforços, persiste o risco de que os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio possam ceder, dada a pressão da água nessas infraestruturas e o tempo que tem passado desde o início desta crise – cerca de 10 dias – com caudais médios em torno de 1.500 m3/s.
LUSA / CM de Coimbra
