Moscovo planeja novos assaltos em larga escala contra indústria energética, afirma Zelensky

Moscovo planeja novos "assaltos em larga escala" contra indústria energética, afirma Zelensky

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou nesta segunda-feira que as ofensivas russas estão “em constante evolução” e que Moscovo está a preparar novos “ataques em massa” contra a infraestrutura energética do país.

“A defesa aérea necessita de ser ajustada adequadamente. Os ataques russos estão em constante evolução – se é que podemos dizer assim. O mal também evolui, infelizmente. Trata-se de ataques combinados que exigem proteção especial e o apoio correspondente dos nossos parceiros”, destacou Zelensky.

No tradicional discurso noturno em vídeo dirigido à nação, o líder ucraniano enfatizou que os russos têm plena consciência do que estão a tentar destruir quando atacam a Ucrânia, conforme relatado pela agência de notícias Ukrinform.

Zelensky também advertiu que qualquer atraso na resposta dos mísseis da defesa aérea ou na entrega de suporte “contribui para aumentar os danos dos ataques”.

“Tudo o que discutimos em Munique com os nossos parceiros precisa de ser implementado rapidamente. É crucial que os parceiros não permaneçam em silêncio”, ressaltou.

Ele ainda acentuou que a paz será a recompensa para aqueles que souberem usar a força.

“Ninguém deve ter ilusões: se a Rússia não for responsabilizada por esta agressão, não viverá em paz convosco – nem com ninguém que queira cooperar com ela. A Rússia deve ser responsabilizada por tudo. A justiça deve prevalecer”, insistiu.

Em relação à nova reunião trilateral com os EUA e a Rússia marcada para terça-feira em Genebra, Zelensky observou que Moscovo “não consegue resistir à tentação dos últimos dias de frio do inverno e quer infligir golpes dolorosos aos ucranianos”.

“Quanto mais mal a Rússia impuser, mais difícil será para todos chegarmos a um acordo. Os parceiros precisam compreender isto. Em primeiro lugar, isso diz respeito aos Estados Unidos”, destacou.

“A Ucrânia pode tornar-se um componente realmente importante da segurança europeia e euro-atlântica. É essencial que os nossos parceiros entendam as capacidades da Ucrânia, assim como o nosso inimigo comum”, concluiu Zelensky.

O negociador ucraniano Rustem Umerov informou na noite de segunda-feira, via Telegram, que a delegação já se encontra em Genebra e “pronta para trabalhar”.

“Esperamos um trabalho construtivo e reuniões substanciais sobre as questões de segurança e humanitárias para avançarmos em direção a uma paz sustentável e digna”, enfatizou Umerov.

As duas rodadas anteriores de negociações trilaterais ocorreram nos Emirados Árabes Unidos no início deste ano.

O principal obstáculo a um acordo nestas rodadas foi a divisão da região leste de Donetsk, onde mais de 75% está sob controle russo.

Moscovo exige que a Ucrânia ceda o território que ainda controla na região para que a guerra chegue ao fim, mas Kyiv rejeita essa demanda.

Em meados de fevereiro, Moscovo controlava total ou parcialmente 19,5% do território ucraniano, em comparação com 18,6% no mesmo período do ano anterior.

Cerca de 7% do território, incluindo a Crimeia e parte do Donbass (região no leste da Ucrânia), já estava sob domínio russo antes da invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022.

A ofensiva militar russa na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022, mergulhou a Europa na crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

ondaCoimbra.pt
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