O italiano Mario Martone, que recentemente apresentou dois bons filmes, O Rei do Riso (2021) e Nostalgia (2022), agora nos brinda com Fuori, que investiga a vida da escritora e atriz Goliarda Sapienza nos anos 80, após a sua liberação da prisão onde cumpriu dois meses por ter roubado as joias de uma amiga durante uma festa. Esta experiência a levou a publicar em 1983 o livro A Universidade de Rebibbia, que narra as realidades que enfrentou na prisão, as amizades que cultivou e como tudo isso a inspirou a retomar a escrita. Fuori aborda um período restrito da tumultuada vida de Sapienza (interpretada por Valeria Golino), mas pode deixar os espectadores menos familiarizados com sua obra confusos. A impressão que fica é que o filme poderia ter explorado com mais profundidade a experiência carcerária da autora de A Arte da Alegria, em vez de apenas apresentar fragmentos em flashbacks.
Contemporâneo de Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, e elogiado por eles, Hiroshi Shimizu (1903-1966) dirigiu mais de 160 filmes, tanto mudos quanto sonoros, destacando-se em melodramas e comédias dramáticas que retratam personagens marginalizados ou com vidas difíceis. Sua obra está atualmente sendo apresentada fora do Japão. Este ciclo promovido pela The Stone and the Plot inclui cinco filmes da fase final de sua carreira, entre 1956 e 1959, sendo três inéditos em Portugal. Os filmes são: O Idiota Sentimental (1956), Crianças à Procura de Mãe (inédito), O Som do Nevoeiro (também de 1956, em reposição), A Dançarina (1957, inédito) e Imagem de uma Mãe (1959, em reposição). Eles estarão em exibição no Cinema City Alvalade até o dia 22 e a partir do dia 17 nos cinemas NOS Amoreiras em Lisboa e no NOS Alameda Shop & Spot no Porto, além de outras salas em Coimbra, Sintra, Santarém, Maia, Guimarães, Barcelos e Fundão.
O novo filme de Paolo Sorrentino se passa nos últimos seis meses do mandato de Mariano De Santis (Toni Servillo), um presidente fictício da República Italiana, viúvo, católico e muito rigoroso, movido por sua consciência. Ele é amado pelo povo e respeitado por sua equipe, incluindo sua filha solteira, Dorotea, que é também sua assessora jurídica, mesmo que seus membros possam nem sempre concordar com suas decisões. Antes de deixar o cargo, De Santis precisa decidir sobre um projeto de lei sobre eutanásia, que ele tem adiado constantemente, buscando perfeiçá-lo a cada vez que Dorotea o apresenta. Além disso, ele deve conceder ou não dois perdões: a uma mulher que matou o marido, que a maltratava, e a um professor que estrangulou sua esposa com Alzheimer. Ao mesmo tempo, o presidente se vê atormentado pela dúvida sobre a identidade do amante de sua falecida esposa. La Grazia foi selecionado como o filme da semana pelo Observador e pode acessar a crítica aqui.
