A partir de 15 de novembro, o jornalismo de viagens ganha uma nova revista impressa, intitulada Primitiva, idealizada por seis jornalistas e cronistas, que promete ser uma publicação para ser lida e apreciada novamente.
A Lusa conversou com Luís Octávio Costa, ex-jornalista do Público e um dos fundadores da revista de 220 páginas, que no seu número inaugural apresenta 20 reportagens que levarão os leitores a destinos como Nepal, Índia, Paquistão, Iraque, Indonésia, Madagáscar, Togo, Benim, as montanhas da Argentina e o Círculo Polar Ártico, além de Portugal.
“Nesta revista não há notícias, listas ou recomendações de hotéis e restaurantes; não temos os elementos típicos das revistas de viagens. Por isso, sinto um certo receio em classificar como uma revista de viagens, preferindo dizer que é uma revista de histórias do mundo”, explicou o fundador do projeto, que também conta com a participação do jornalista da Lusa, Rui Barbosa Baptista.
Com publicações bianuais, a Primitiva “tem como objetivo recuperar o espaço para narrativas mais profundas, apresentando o mundo em sua verdadeira forma”, conforme destaca a apresentação, que menciona conteúdos que variam de “tradições a esportes de aventura, incluindo projetos fotográficos singulares”.
“Queremos relatar histórias que são relevantes. Em vez de contribuir para o ruído, almejamos criar espaço para a escuta e a memória. Acreditamos que o papel é um meio de resistência e preservação”, afirma Luís Octávio Costa.
Filipe Morato Gomes, autor do blog de viagens Alma de Viajante e também um dos fundadores do projeto editorial, complementa que “viajar é uma maneira de entender o mundo e a nós mesmos. A Primitiva convida a que olhemos com mais profundidade, sem filtros ou pressas, indo além do superficial”.
Inspirada em projetos internacionais de destaque no campo das revistas independentes, a Primitiva busca se posicionar como uma publicação de alto padrão, que combina jornalismo, design e fotografia para criar um arquivo de histórias essenciais.
O primeiro número é vendido por 25 euros e estará disponível online em www.primitivamag.com e em locais selecionados no continente português, conforme anunciam os organizadores do projeto, que é gerido pela Associação Cultural Primitiva, uma entidade sem fins lucrativos apoiada por mecenas.
Em relação à distribuição dos conteúdos e ao formato da revista, que também terá uma versão digital em inglês, Luís Octávio Costa argumenta que “a representação do mundo é falha”.
“Quando visitamos lugares e exploramos os países, percebemos que a realidade é diferente do que nos vendem. Queremos que nossa informação, sendo jornalistas, seja a mais primitiva e genuína possível”, explica o jornalista sobre a revista, que não terá índice para que “o leitor possa se perder nas viagens ao folheá-la”.
A apresentação oficial acontecerá no dia 15 de novembro, às 17:00, no Mira Fórum, em Porto.
