O Prémio para quem Soube Mudar de Ares com Outro Midas: A Crónica do Quarto Título Europeu de Hóquei do FC Porto

Paulo Freitas pedia calma nas paragens técnicas, mas o tempo parecia estar a escapar do FC Porto mais uma vez. Tudo parecia conspirar contra os dragões, que estavam a perder para o Óquei de Barcelos, enquanto o Pavilhão Dr. Mário Mexia apoiava os minhotos em busca de mais uma final europeia. Eles enfrentavam uma das equipas que melhor sabe administrar momentos de jogo. Foi nesse contexto que, num momento de inspiração, Gonçalo Alves empatou, com uma jogada individual que culminou num toque sobre a bola, que saltou na pista e passou por cima de Guillem Torrents. Este foi o cenário durante o tempo regulamentar, no prolongamento e, por fim, nas grandes penalidades. Em uma época marcada por altos e baixos, os dragões mostraram muita garra para superar todas as dificuldades e assegurar uma nova vaga na decisão da Liga dos Campeões.

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Agora, a corrida pelo título era marcada pela presença da equipa que mais vezes jogou contra os azuis e brancos em competições internacionais: o Barcelona. Pela 40.ª vez, o FC Porto encontrava os catalães, com um histórico que favorecia os adversários (19 vitórias a 12, além de oito empates). Em todas as sete finais disputadas entre eles até então, os blaugrana haviam sempre saído vitoriosos, seja no tempo regulamentar, no prolongamento ou nas penalidades (1985, 1997, 2000, 2004, 2005, 2014 e 2018). Contudo, após a “vingança” contra os minhotos, que venceram os dragões nos penáltis em Matosinhos no ano anterior, era também hora de confrontar um adversário conhecido.

“Acreditámos sempre no processo. Mantivemos um bom rigor. Foi um jogo bastante equilibrado, com as equipas a se respeitarem, típico de uma meia-final da Liga dos Campeões. Havia muito em jogo. Amanhã [Domingo], estaremos aqui para lutar até a última gota de suor para vencer a Liga dos Campeões”, destacou Paulo Freitas, treinador do FC Porto, antes da vitória do Barcelona sobre o Benfica por 4-3, após derrotarem o campeão mundial, Sporting, por 2-0 no prolongamento. “Ainda sou novo nesta equipe e conquistar uma Liga dos Campeões com eles seria maravilhoso. Queremos muito ganhar a Champions. Conheço bem o FC Porto, mas eles também me conhecem. O Barcelona teve quatro horas a mais de descanso, mas em uma final, o cansaço não conta,” acrescentou Ricardo Ares, técnico do Barça.

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A trajetória dos dois treinadores revela intersecções que voltavam à tona. Ares chegou ao Porto em 2021, após Paulo Freitas levar o Sporting a conquistar duas finais da Liga dos Campeões (2019 e 2021). Foi também sob a orientação do antigo selecionador espanhol que os azuis e brancos quebraram uma série de 11 derrotas em finais da Liga dos Campeões, vencendo o Valongo em Viana do Castelo para conquistar o terceiro título europeu em 2023. Na temporada anterior, marcada pela derrota para o Óquei de Barcelos na decisão da Champions, os caminhos se separaram. Ares foi para o Barça em busca de encerrar uma sequência de oito anos sem vitórias na Europa, contando com três jogadores que passaram por Portugal (Xavi Barroso, Ferran Font e Pablo Álvarez), enquanto Paulo Freitas deixou a Seleção Nacional para treinar o FC Porto… com o mesmo objetivo. As bases para uma final em Coimbra, repleta de histórias paralelas, estavam lançadas.

Os dragões não poderiam ter um começo melhor, com um cartão azul mostrado a Marc Grau, que deu oportunidade ao FC Porto de abrir o marcador com Rafa, após assistência de Gonçalo Alves, já depois de Carlo Di Benedetto ter sido parado por Sergi Fernández em um livre direto (2′). Não houve mais golos nessa situação de power play, mas o FC Porto dominava e dificultava as transições e ataques organizados dos catalães, que se complicaram ainda mais quando Gonçalo Alves lançou um verdadeiro míssil do meio-campo, que desviou no caminho e enganou Sergi Fernández. Com apenas oito minutos de partida, o FC Porto já estava com dois golos de vantagem.

Ricardo Ares tentou parar o jogo, enquanto Sergi Fernández usou as paragens para limpar a viseira. A defesa dos azuis e brancos se destacou, com Xavi Malián garantindo segurança no gol. Apesar de o Barcelona ter um período de quatro minutos em 4×3, após cartões azuis a Telmo Pinto e Hélder Nunes (este último reencontrando a sua antiga equipe), não conseguiu reduzir a desvantagem no placar até o intervalo. A equipe catalã ainda viu Sergi brilhar em situações de 1×0 contra Edu Lamas e Di Benedetto, demonstrando os erros cometidos, com e sem a bola. Houve uma tentativa de Alabart que atingiu o poste, mas o placar de 2-0 prevaleceu até o intervalo.

No segundo tempo, com Ricardo Ares ampliando os riscos dos catalães, o Barcelona alterou a dinâmica do jogo, especialmente após Alabart converter um pênalti com um corte de patim na área de Di Benedetto, tentando impedir um gol da parte de trás da baliza (28′). O FC Porto, optando por jogar de forma mais segura, queria controlar o jogo, mas não aproveitou os dois cartões azuis a Marc Gual (30′) e Xavi Barroso (34′) para aumentar a vantagem e se aproximar da vitória. Não foi no coletivo que conseguiu, mas sim no individual: Telmo Pinto fez uma jogada individual impressionante na área, finalizando colocado para o 3-1 (45′). Hélder Nunes ainda errou um livre direto no último minuto, mas o jogo estava decidido, com o FC Porto conquistando a oitava vitória sobre o Barcelona em finais e conquistando pela quarta vez o principal título europeu. Para Paulo Freitas, em sua estreia à frente dos dragões, foi a terceira Champions em sete anos.

ondaCoimbra.pt
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