O secretário-geral do PS elogiou Manuel Alegre como “um exemplo vivo de que a política se faz com convicção, ética e poesia”, celebrando a sua “voz sempre livre e sempre firme” no dia em que o histórico socialista completa 90 anos.
“Raras vezes a clareza do pensamento político se uniu tão bem à beleza da palavra como na vida e obra de Manuel Alegre, que hoje completa 90 anos”, escreveu José Luís Carneiro numa publicação na rede social X.
Segundo o líder do PS, mais do que uma referência política ou um destacado autor, Manuel Alegre exemplifica como a política deve ser feita com convicção, ética e poesia.
Raras vezes a clareza do pensamento político se uniu tão bem à beleza da palavra como na vida e obra de Manuel Alegre, que hoje completa 90 anos.
Mais do que uma referência política ou um vulto maior da nossa literatura, o Manuel é um exemplo vivo de que a política se faz com… pic.twitter.com/UXd1wjNaEE
— José Luís Carneiro (@jl_carneiro) May 12, 2026
É um privilégio poder contar com a sua sabedoria e com a sua inabalável fidelidade aos valores que nos unem. Parabéns, Manuel Alegre. Que continuemos a ouvir a sua voz, sempre livre e sempre firme!
Esta noite, em Lisboa, a vida do presidente honorário do PS será homenageada num jantar com amigos e familiares, reunindo mais de uma centena de pessoas em “um hino à amizade, admiração e cidadania” de uma “voz da resistência”.
Em declarações à agência Lusa, a ex-ministra e antiga candidata presidencial Maria de Belém Roseira explicou que este jantar foi “uma iniciativa espontânea” de um grupo de pessoas que quiseram celebrar Manuel Alegre “em nome da amizade e da cidadania”.
Sem revelar os nomes dos participantes, Maria de Belém mencionou que o jantar, que rapidamente ficou lotado, reunirá mais de 100 pessoas num hotel em Lisboa, incluindo indivíduos de diferentes quadrantes políticos e de diversos pontos do país.
Manuel Alegre nasceu a 12 de maio de 1936 em Águeda e, embora tenha sido estudante universitário em Coimbra e considerado ser advogado, a sua luta académica desviou-o desse objetivo inicial.
O fado, a boémia, o teatro — com a fundação do CITAC (Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) e do TEUC (Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra) — e a contestação dominaram a sua juventude.
Ao longo da sua extensa carreira política, este escritor e poeta, que se destacou na luta contra o regime do Estado Novo, entrou para o PS em 1974, serviu como secretário de Estado de Mário Soares, foi deputado em várias legislaturas e candidato presidencial em 2006 e 2011, tendo perdido para Aníbal Cavaco Silva.
Serviu no exército, foi mobilizado para a guerra colonial em Angola, esteve preso, viveu na clandestinidade e no exílio em Paris e Argélia durante o Estado Novo.
Manuel Alegre voltou a Portugal em 2 de maio de 1974, após a revolução de Abril, e iniciou a fundação dos “Centros Populares 25 de Abril” antes de aderir ao PS ainda naquele ano.
No dia 25 de novembro de 1975, ele fez a ponte entre o PS e o “Grupo dos Nove” e, em 1976, estabeleceu o primeiro contacto com o general Ramalho Eanes para a sua candidatura presidencial.
Deputado constituinte em 1975, pelo grupo parlamentar socialista, exerceu a função de Secretário de Estado da Comunicação Social no I Governo Constitucional, do qual foi porta-voz e, em outubro de 1995, foi eleito vice-presidente da Assembleia da República.
Foi deputado durante 34 anos. Em 2004, candidatou-se à liderança do PS, mas foi derrotado por José Sócrates. Entre 2005 e 2016, foi membro do Conselho de Estado, eleito pela Assembleia da República em representação do PS, cargo que re-assumiu em 2022.
