A “Casa Medieval” — assim designada na documentação técnica — está situada na área classificada como Património Mundial pela UNESCO e é abrangida por várias Zonas Especiais de Proteção. O objetivo da operação é assegurar a preservação e valorização de um bem reconhecido pelo seu elevado valor histórico, simbólico e arquitetónico. O edifício destaca-se pela sua volumetria e estrutura tradicional, composta por um rés-do-chão e três andares superiores, tendo sido utilizado para diferentes fins ao longo do tempo, incluindo habitação, comércio e indústria.
No parecer que acompanha o processo, Luísa Trindade, doutorada em História da Arte e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, descreve-o como um “exemplo raro de habitação urbana comum do final da Idade Média e início da Época Moderna”, com características como sobrados e fachadas em ressalto, típicas desse período. A especialista enfatiza que Coimbra não deve “perder a oportunidade de promover, de forma qualificada, a ‘Casa Medieval’ (o termo mais apropriado seria ‘Casa de tipo quinhentista’) como uma peça fundamental do seu centro histórico, que desde 2013 está inscrito na lista dos bens considerados património da humanidade”.
Os serviços técnicos municipais corroboram essa perspectiva, classificando o imóvel como um “testemunho arquitetónico e urbano de grande valor patrimonial”. A sua integração na rede de património municipal é vista como uma oportunidade estratégica para fortalecer a identidade histórica da cidade, com planos para a sua futura inclusão em roteiros culturais, educativos e turísticos.
A assinatura da escritura teve lugar esta tarde na Sala Sílvio Pélico, na Câmara Municipal de Coimbra. Estiveram presentes a notária, os herdeiros e representantes legais dos imóveis e o presidente da Câmara, José Manuel Silva.
