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“Quente e Frio”, o novo podcast da Rádio Observador que aborda a meteorologia, tem como anfitriã a jornalista Filomena Martins. O fim de semana poderá trazer chuviscos e alguma chuva, após as primeiras trovoadas anunciadas para esta sexta-feira. Esta mudança de tempo pode complicar os planos de férias de muitos, especialmente nas regiões norte e centro, onde o IPMA prevê aguaceiros, chuviscos e novas trovoadas, enquanto o calor finalmente dará uma pausa em grande parte do país. Eu sou Ricardo Conceição e estou acompanhado por Judite França.
Filomena, olá. Pretendes dar todas as más notícias de uma vez ou vais revelando aos poucos?
Vou revelando aos poucos.
Perfeito.
Como o Ricardo já mencionou algumas informações, vamos detalhar um pouco mais. Neste sábado, haverá trovoadas no extremo norte, especialmente em Trás-os-Montes, seguida de chuva fraca e chuviscos em cidades como Porto, Braga, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa, principalmente pela manhã. À tarde, estará nublado ao longo do litoral oeste, mas depois haverá uma melhoria no tempo. No domingo, o cenário será semelhante, com chuva ou aguaceiros fracos em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa, predominantemente de manhã, e uma melhoria no início da tarde. O sul do país, por outro lado, permanecerá seco. Na segunda-feira, a previsão indica mais chuva e aguaceiros fracos nas mesmas regiões, incluindo Lisboa, antes que o tempo comece a estabilizar gradualmente à tarde.
E após a onda de calor, Filomena, a temperatura ficará mais amena?
Sim, ficará mais fresco. Iremos notar essa mudança nas temperaturas. Após vários dias com a maior parte do país acima dos 35 graus, neste sábado apenas duas capitais de distrito superaram os 30 graus: Bragança com 37, onde ainda se sente bastante calor, e Castelo Branco com 31. Évora só alcançará 30, enquanto as demais regiões ficarão entre 22 e 29 graus. No domingo, a entrada do ar mais fresco proveniente do Atlântico fará com que as temperaturas caiam ainda mais, com noites frescas entre 14 e 17 graus. Vale lembrar que essa mudança de temperatura será temporária, pois a meio da próxima semana já voltaremos a sentir calor.
Isso não é uma má notícia.
Neste período temos a previsão de trovoadas e raios. O que torna as trovoadas tão perigosas nesta época?
Vou explicar começando do começo, de forma simples.
Bom para mim!
Uma trovoada se forma quando o ar quente e úmido próximo ao solo se eleva rapidamente e encontra ar mais frio em altitudes superiores, que é o que teremos do Atlântico nos próximos dias. A nuvem cresce em altura, semelhante a uma torre, até formar as grandes nuvens de tempestade conhecidas como cumulonimbus.
Cuidado para não errar.
Não vou. Dentro dessas nuvens, ocorre uma constante turbulência, com gotas de água, cristais de gelo e pequenas pedras de granizo colidindo entre si. Essas colisões separam as cargas elétricas: uma parte fica negativa e a outra positiva. Quando a diferença se torna muito grande, a atmosfera não suporta e descarrega uma enorme carga elétrica chamada raio. Um raio pode aquecer o ar ao seu redor a cerca de 30 mil graus, cinco vezes mais quente que a superfície do Sol. Esse aquecimento ocorre tão rapidamente que o ar se expande violentamente ao redor, criando a explosão que ouvimos como trovões.
E os raios caem.
Sim, caem muito rapidamente.
E quando caem, podem ser letais.
Exatamente. A descarga elétrica dura apenas milésimos de segundo, mas pode atravessar o corpo de uma pessoa, causando imediatamente uma parada cardíaca ou respiratória. Muitas vítimas não morrem pela queimadura do raio em si, mas porque o coração ou a respiração param de forma abrupta, e não é necessário ser atingido diretamente. A corrente pode se disseminar pelo chão, após atingir, por exemplo, uma árvore ou um poste, podendo alcançar uma pessoa a partir de um objeto metálico ou pela água se várias pessoas estiverem próximas. Nos Estados Unidos, raios matam em média de 20 a 30 pessoas por ano, e há centenas de feridos. Mundialmente, as estimativas indicam cerca de 24 mil mortes anuais, embora esse número possa ser maior. Por esse motivo, existe a regra de interromper atividades a partir de 30 minutos após a identificação de atividade elétrica a 13 km de um estádio, permitindo a retomada apenas 30 minutos após o último relâmpago ou trovão. A regra é, se você consegue ouvir o trovão, é porque já está perto o suficiente para correr riscos.
Qual é a melhor opção quando isso ocorrer?
Durante uma trovoada, o mais seguro é estar dentro de um edifício ou em um veículo. Nunca permanecer numa praia, piscina, campo de futebol, no alto de uma montanha ou debaixo de uma árvore isolada.
Essa eu sabia.
Isso é algo que todos sabemos. Alguma outra má notícia para o fim de semana, Filomena?
Sim, tenho mais uma.
Ótimo.
Outra nuvem invisível que está passando acima de nós é a poeira do Saara.
Eu pensei que era uma nuvem negra.
Não, essa é mais amarelada, mais acastanhada. Nas últimas semanas, essas poeiras têm seguido a rota habitual do verão, deslocando-se para o oeste, atravessando o Atlântico em direção às Caraíbas, Amazônia e sul dos Estados Unidos. É uma viagem anual que também ajuda a fertilizar a floresta amazônica com minerais do deserto. No entanto, devido à mudança na circulação atmosférica e a presença de depressões a oeste da península, os ventos têm trazido parte dessas poeiras mais para o norte e leste, chegando assim a Portugal e Espanha, resultando em piora da qualidade do ar.
Então teremos poeira no ar?
Sim, a qualidade do ar ficará comprometida.
Você nunca estenderá roupa nesta época.
Com certeza não.
Nem lavar o carro.
Nem lavar o carro, porque além da poeira-
Isso também não é possível agora devido à falta de água.
Ouça, além de piorar a respiração, você verá o céu esbranquiçado e amarelado. O pôr do sol pode ficar bonito, avermelhado, mas se chover, a chuva será de lama, e você sabe como isso afeta o carro ou a roupa estendida.
O “Quente e Frio” é o novo podcast da Rádio Observador focado em meteorologia, apresentado por Filomena Martins, de segunda a quinta-feira, às 16h10, e às sextas às 17h10. Uma ótima forma de nos prepararmos para o fim de semana e, claro, sempre disponível em formato de podcast.
