Não há momento mais oportuno para discutirmos o trono do andebol português. Este fim de semana, assistimos a um clássico que colocou frente a frente as equipas de camisolas verdes e azuis em uma batalha pela invencibilidade em território nacional – uma disputa à qual já nos habituámos nos últimos tempos.
O leão saiu vitorioso. Essa vitória é uma obrigação – mesmo sabendo da dificuldade – para uma equipa que almeja alcançar novos patamares nos grandes palcos do andebol europeu. Não poderia se dar ao luxo de relaxar em casa, nas batalhas em seu território. Este território, por sinal, está bem definido e cada vez mais robusto.
Atualmente, temos um SL Benfica em desvantagem, um FC Porto buscando reviver o sucesso que teve até 2023, com indícios de recuperação, e, por fim, um Sporting CP a todo vapor.
No final de março deste ano, destaquei a equipe de Alvalade como a potência do andebol nacional. Naquela época, estavam bem encaminhados para revalidar o título de campeões nacionais e eram considerados a grande sensação da Liga dos Campeões. Em solo português, confirmaram seu favoritismo, mas na principal competição europeia de clubes ficaram pelos quartos de final, enfrentando outro forte concorrente ao título de surpresa europeia, o HBC Nantes.
Essas duas campanhas notáveis agora serão fundamentais na definição dos objetivos para 2025/26.
O que pode fazer o Sporting em Portugal
Iniciemos pelo que é, sem dúvida, o principal: igualar o FC Porto como a equipe com mais títulos de campeão em Portugal.
Um eventual tricampeonato garantirá o 24.º troféu para os leões, iniciando uma nova era marcada por um plantel recheado de juventude e potencial para fazer os amantes do andebol português sonharem com voos mais altos. Mas falaremos mais sobre isso adiante.
Antes, é importante ressaltar o significativo passo dado no último sábado, com a vitória no primeiro clássico da temporada. Apenas um gol garantiu uma vantagem de dois pontos que, quem sabe, pode fazer toda a diferença no final da época. Mas isso é algo que ficará para o futuro.
O que pode fazer o Sporting lá fora
Ficar entre as oito melhores equipas da Europa na modalidade já seria uma grande conquista. Superar esse patamar, porém, é um desafio considerável. Contudo, nunca impossível.
Por que isso acontece? Porque a experiência vai aprimorando a qualidade de um plantel jovem que recebeu novas chegadas, trazendo mais opções à equipe. Felizmente para Ricardo Costa, não falamos apenas de um caso isolado.
Carlos Álvarez chegou com o status de melhor marcador da Liga Asobal, apresentando uma série de argumentos que garantem que a saída de Pedro Portela não resultará em uma lacuna. Seu compatriota, Victor Romero, também jovem, é uma ótima opção para a posição de pivô. Por fim, Filipe Monteiro, já com bons minutos em campo, traz segurança na organização do ataque. Ele possui o conhecimento tático e o raciocínio andebolístico necessários para extrair o melhor de seus companheiros. É exatamente o tipo de jogador que os irmãos Costa desejam ao seu lado.
É válido ressaltar também o excelente início de temporada de ‘Kiko’, uma das principais razões para o sucesso do Sporting CP neste começo de época. Ele sempre se destacou como um prolífico marcador, mas este ano brilha ainda mais entre os grandes da Europa. Na Liga dos Campeões, ocupa o terceiro lugar entre os artilheiros, figurando atrás apenas de Mathias Gidsel e Mario Sostaric, dois jogadores que tiveram temporadas de sucesso no ano passado. Com certeza, ele está se consolidando entre a elite que, ano após ano, supera todas as expectativas.
Todos esses fatores se concretizam em duas vitórias em três jogos na Champions League, o que coloca a equipe na quarta posição do grupo A, empatada em pontos com o segundo colocado. Embora ainda seja cedo, existe espaço para melhorias e, quem sabe, até uma oscilação. Uma coisa é certa: a equipe de Ricardo Costa já não é uma surpresa e goza do respeito de todos os gigantes do andebol mundial.
Todos os “ingredientes da receita” estão na mesa. O “bolo” final promete deliciar os aficionados pelo esporte, com a possibilidade de repetir a excelente campanha de 2024/25 na principal competição do mundo. Quem sabe até alcançar algo mais, como uma ida à final four. Considero essa uma tarefa bastante complicada, dado o alto nível da concorrência, mas me acostumei a ser surpreendido por esta equipe. Somente o tempo dirá.
