Subiram ao Everest, depois desceram de prancha. Escaladores criam novos feitos na montanha mais elevada.

Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool

Nos últimos dois meses, dois alpinistas alcançaram marcos históricos no Everest. Andrzej Bargiel e Jim Morrison escalaram a montanha mais alta do mundo e desceram esquiando, marcando os seus nomes na longa história da montanha.

No dia 23 de setembro, Andrzej Bargiel tornou-se a primeira pessoa a escalar o Everest e descer de esqui do cume — 8.849 metros acima do nível do mar — até ao acampamento base sul, a cerca de 5.300 metros, sem o uso de oxigénio. Apenas cerca de 200 pessoas, em mais de seis mil, conseguiram atingir o cume do Everest sem oxigénio.

Bargiel iniciou a sua expedição em 19 de setembro, realizando várias subidas e descidas entre os acampamentos 1, 2 e 3 para se adaptar à altitude. A escalada final para o cume começou a partir do acampamento 4 da face sul, a 7.900 metros de altura, às 23h24 do dia 21 de setembro.

A escalada levou muito mais tempo do que o previsto, devido a um nevão recente. No total, o alpinista polaco passou quase 16 horas na “zona da morte” sem oxigénio, chegando ao cume às 15h do dia 22 de setembro.

A descida começou logo após o cume. Andrzej Bargiel chegou ao acampamento 2, a 6.400 metros de altitude, já durante a noite, e retomou o percurso na manhã de 23 de setembro. Naquele dia, sua descida o obrigou a navegar com cautela pela cascata de gelo Khumbu, uma das áreas mais perigosas do Everest — um labirinto quase vertical de gelo, com fendas profundas, que muda de forma ao longo dos dias devido ao glaciar.

A descida ocorreu sem que Bargiel abrisse mão dos esquis e sem cordas — a única ajuda era do seu irmão, que monitorava a condição do gelo por meio de um drone. Bargiel finalizou a descida na manhã do dia 23, às 8h45. A expedição será retratada em um documentário a ser lançado em 2026.

“É um dos marcos mais importantes da minha carreira desportiva”, disse Bargiel. “Descer o Everest sem oxigénio era um sonho que crescia dentro de mim há anos. Eu sabia que as difíceis condições do outono e a necessidade de traçar a linha de descida através do glaciar Khumbu seriam o maior desafio que eu enfrentaria”.



Andrzej Bargiel na descida da cascata de gelo Khumbu, no Evereste.




Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste.
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste.




Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste.
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste.


Bargiel é o único esquiador e alpinista a subir a pé e descer de esqui todas as montanhas com mais de 8 mil metros de altitude na cordilheira de Karakoram, que abrange o Paquistão, China, Tajiquistão, Afeganistão e Índia, onde se encontra o K2, a segunda montanha mais alta do mundo.

Jim Morrison, por sua vez, optou por um caminho diferente. No dia 15 de outubro, ele se tornou a primeira pessoa a descer de esqui o lado norte do Everest. A subida teve início seis semanas e meia antes e contou com uma equipe de 11 alpinistas, que incluía além dos tradicionais sherpas, um fotógrafo da National Geographic.

No cume, Morrison espalhou as cinzas de Hilaree Nelson, sua falecida parceira de expedições, que morreu há três anos durante uma subida ao Manaslu, uma montanha dos Himalaias nepaleses. Depois, o alpinista passou quatro horas e cinco minutos a descer a encosta, com uma inclinação de 50 graus, até alcançar o glaciar de Rongbuk.

Esta foi a terceira tentativa de Jim Morrison de descer o lado mais perigoso do Everest esquiando. A primeira tentativa, em 2023, foi frustrada devido a problemas com permissões da China. Em 2024, a expedição foi interrompida por uma avalanche que feriu um membro da equipe.

ondaCoimbra.pt
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