O grupo Valérius, oriundo de Minho, vai proceder a um despedimento coletivo na empresa de confeções Dielmar, localizada em Alcains, no concelho de Castelo Branco, confirmou à agência Lusa a presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB).
Marisa Tavares revelou que 22 trabalhadores ficarão sem emprego a partir do final do ano. Esta representante lembrou que esta não é a primeira vez que ocorrem cortes no pessoal desde que a Valérius assumiu a Dielmar em 2022, após a insolvência da empresa em agosto de 2021.
A sindicalista explicou que a administração da empresa justificou a situação financeira delicada, alegando que contava fechar um acordo com um cliente brasileiro que não se concretizou. Dessa forma, indicou que os prejuízos estão a aumentar e que não há trabalho para todas as linhas de produção.
Alguns trabalhadores, segundo Marisa Tavares, chegaram a um acordo com a empresa para a sua saída. “Alguns concordaram e já saíram, mas estes 22 não. E as saídas podem não terminar aqui, pois se a situação financeira não melhorar, os trabalhadores temem que mais tenham que sair”, reiterou.
Dos 248 trabalhadores ligados à Dielmar, 210 resistiram à insolvência e passaram para a nova gestão da Valérius. Neste momento, restam apenas 122 trabalhadores que, conforme corroborado pela presidente do STBB, “vivem sob constante incerteza”.
A denúncia do despedimento coletivo foi feita pelo partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar) e confirmada pelo sindicato da área.
No comunicado enviado à imprensa, o RIR exige “transparência e responsabilização” do grupo Valérius, bem como uma “proteção efetiva dos trabalhadores”.
O partido destacou que a Dielmar “recebeu um apoio estatal de emergência no valor de 320 mil euros para evitar a insolvência imediata e preservar cerca de 400 postos de trabalho”.
Ainda mencionam que, em 2024, o Grupo Valérius obteve “sete milhões de euros [ME] do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para revitalizar a operação e sustentar a atividade produtiva”.
Por isso, consideram essencial “exigir clareza e rigor na utilização dos fundos estatais e do PRR”, manifestando preocupação quanto a possíveis desvios entre os objetivos dos apoios concedidos, como a proteção do emprego e a recuperação económica, e os resultados efetivos obtidos.
O RIR reiterou a necessidade de um esclarecimento público rápido da empresa e do Governo sobre “o destino dos apoios públicos atribuídos à Dielmar, incluindo relatórios detalhados sobre sua utilização”, pedindo ainda “uma auditoria independente aos processos de insolvência, venda de ativos, reestruturação e aplicação dos fundos do PRR”.
É importante lembrar que a Dielmar tinha dívidas de 18 ME quando declarou insolvência, sendo oito milhões de euros de dívida ao Estado. A empresa foi vendida ao grupo têxtil de Barcelos por 275 mil euros e reiniciou suas operações no início de 2022.
Fechou o ano financeiro de 2023 com uma faturação de cerca de 6 ME, menos da metade do objetivo que pretendia atingir, que era de 15 ME em faturação anual, conforme informado pela administração na época.
A Lusa tentou entrar em contato com a empresa para obter esclarecimentos sobre este processo, mas ainda não obteve resposta.
