Quando Rui Patrício errou contra o Leiria, provocou a vaia para si: Eu afirmei que tínhamos goleiros para o amanhã

Quando Rui Patrício errou contra o Leiria, provocou a vaia para si: "Eu afirmei que tínhamos goleiros para o amanhã"

Como surgiu Rui Patrício?

O Rui Patrício chamou a minha atenção pessoalmente quando comecei a atuar como treinador de guarda-redes nas camadas jovens do Sporting. No primeiro treino, ficou evidente o destaque que as suas qualidades ofereciam, especialmente o seu potencial. Na época, ele compartilhava a titularidade nos sub-17 com Marco [Pinto], já que eram ambos guarda-redes de seleção. A política de formação do clube consistia em alternar os jogadores, proporcionando a eles experiências diversas, tanto jogando quanto aprendendo a não jogar.

Hmm, hmm.

Ao chegarmos ao escalão júnior, Rui treinava regularmente com os juniores e, na segunda temporada, que marcou a transição para os seniores, ele era titular nos sub-19 e se juntava a nós nos treinos da equipe principal. Lembro-me de um momento em que estávamos sentados na academia; os campos eram visíveis através de um corredor, e havia bancos de jardim. Enquanto conversava com ele, disse: “Podes vir a ser um dos melhores guarda-redes do mundo. Com apenas 17 anos, se te concentrares e trabalhares arduamente, mantendo sempre a humildade e aprendendo, tenho plena certeza de que alcançarás essa meta”.

Rui assumiu esse compromisso e, a partir daí, a sua trajetória fala por si. O foco que coloca no seu desenvolvimento pessoal e profissional, o investimento nas suas competências e a humildade para aprender com aqueles que lhe queriam bem foram fundamentais. Boas pessoas atraem boas energias e, em grande parte, a sua carreira deve-se a ele mesmo.

Como era ele? Parece-me muito discreto, quase avesso aos holofotes.

Rui era um rapaz que cresceu no Sporting desde muito jovem. Veio de Marrazes, em Leiria. Era, de fato, uma pessoa discreta, mas, no meio do grupo, ele era bem aceito e sempre bem-humorado, brincalhão, e muitos gostavam dele. Sempre se mostrou uma pessoa bastante social. No entanto, fora do círculo, manteve a sua discrição e a falta de desejo de se exibir. Isso foi positivo, pois contribuiu para a sua humildade e dedicou-se a aprender. Esse mindset, muitas vezes oposto ao desejo de ostentação, fez com que ele focasse no trabalho, na aprendizagem e na competição, buscando sempre ser melhor. O desenvolvimento pessoal também foi crucial em determinados momentos da sua carreira, sempre com a ajuda de boas pessoas e profissionais, permitindo-lhe alcançar um elevado patamar.

Vamos falar sobre a estreia com o Marítimo. Recorda-se desse episódio?

Aquela partida não era uma escolha difícil, uma vez que Ricardo e Tiago estavam ligeiramente lesionados e Rui realmente precisava atuar. Lembro-me do momento do pênalti nesse jogo; corri até a baliza para orientar Rui sobre o que o jogador adversário poderia fazer. Ele olhou para trás e disse: “Fica tranquilo, vou defender”. Fiquei em silêncio. E isso resume o Rui. Quando está atento à tarefa, não é necessário dizer mais nada, pois o trabalho é realizado nos bastidores, e ele possui uma capacidade incrível de assimilar e reproduzir tudo o que aprende durante a competição.

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