O candidato à presidência André Ventura expressou esta terça-feira a sua surpresa pelo apoio de diversas figuras da direita a António José Seguro, salientando que o primeiro-ministro, ao não se alinhar com nenhuma candidatura, optou por “não ser um obstáculo”.
“Tenho visto que o meu adversário, António José Seguro, fica bastante satisfeito, e confesso que fico estupefato com os apoios que surgem diariamente de pessoas cuja identidade é desconhecida”, declarou, mencionando como exemplo os apoios recebidos de Cecília Meireles e Diogo Feio, da ala centrista.
André Ventura falava a jornalistas em Sacavém, no concelho de Loures, onde realizou a primeira ação de campanha após a primeira volta das eleições, no último domingo, na qual garantiu sua participação na segunda volta, sendo o segundo candidato mais votado.
O líder do Chega afirmou que se importa pouco com os “notáveis”, destacando que busca o apoio do “povo português” e daqueles que “não pretendem voltar ao fantasma, desastre e empobrecimento do PS”, que, segundo ele, é responsável por um “país estagnado, onde os jovens são forçados a emigrar e que está atrasado”.
Ventura considerou que a maneira como esses nomes da direita se “atravessam” para “seguir António José Seguro” ilustra claramente a corrupção do sistema nos últimos 50 anos, ressaltando que esta é uma oportunidade única para rompê-lo.
Ele acrescentou: “É com alguma estupefação que vejo pessoas que sempre disseram querer combater o PS, correr para junto do PS assim que o sistema é questionado. Isso, de certa forma, é esclarecedor, porque evidencia o que temos repetido nos últimos seis anos. Em Portugal, só existe um movimento anti-sistema, e esse é o nosso.”
Questionado sobre a postura do primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, que não declarou apoio a qualquer candidato na segunda volta, André Ventura salientou que há quem tenha votado nele e também em Montenegro nas legislativas, e que o líder social-democrata “decidiu não ser um obstáculo”.
“Disseram que não iriam ser um obstáculo e permitiram que os seus apoiantes tivessem liberdade de voto”, afirmou, acrescentando que essa “não indicação” delega na “consciência do povo português” a responsabilidade de decidir o que desejam para os próximos cinco anos. Ventura avançou para a segunda volta das eleições presidenciais, mas não atingiu o objetivo de ficar em primeiro lugar, tendo mais do que duplicado o resultado de cinco anos atrás, embora tenha registado uma diminuição no número de votos em relação às legislativas.
Nas eleições presidenciais de 2021, André Ventura – que era então o único deputado do Chega na Assembleia da República – obteve 496 mil votos, ocupando o terceiro lugar atrás de Marcelo Rebelo de Sousa e da socialista Ana Gomes.
O candidato apoiado pelo Chega – que atualmente conta com 60 deputados no parlamento – mais do que duplicou sua votação, alcançando quase um milhão e trezentos mil votos. Apesar desse desempenho cinco anos atrás, Ventura não conseguiu igualar a quantidade de votos obtidos pelo Chega nas legislativas de 2025, nas quais seu partido arrecadou cerca de um milhão e quatrocentos mil votos.
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