Marco Galinha, proprietário do grupo Bel, que controla a distribuidora Vasp, declara que a empresa “foi proibida de se comunicar com membros do gabinete do ministro” durante uma audiência na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto. “Fiquei surpreendido“, compartilha ele, referindo-se à suspensão anunciada esta mês da distribuição de prensa em oito distritos do interior do país.
Galinha aponta que “só Lisboa, Porto e Coimbra estão operacionais“, enquanto os demais territórios enfrentam dificuldades na distribuição de imprensa. O empresário enfatiza a relevância da Vasp para o setor, que gera entre oito e dez milhões de euros mensais para os meios de comunicação, provenientes da venda de jornais e revistas.
Sobre as críticas de monopólio, ele observa que a Vasp é um monopólio natural e que “se outra empresa entrar em cena, os custos serão duplicados, tornando a operação inviável”. Galinha ainda refuta os comentários do ministro da Presidência, Leitão Amaro, feitos em dezembro. “Não desejamos que se pague um cheque a nenhuma empresa“, adverte, reiterando que a Vasp “está prestes a cortar rotas” devido à inviabilidade da distribuição de jornais no interior do país desde 2019.
O presidente do conselho de administração expressa sua perplexidade sobre as reuniões com o governo, já que o assunto não avançou. Entretanto, elogia a atuação de Pedro Duarte, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, e Carlos Amorim, atual responsável pela pasta e ex-secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, além de destacar o histórico de António Leitão Amaro.
“É muito estranho que garantam que tudo estava preparado e que, com a mudança de ministro, tudo se perdeu. O que temos feito? O que estive a fazer?“, questiona. É importante lembrar que, atualmente, a responsabilidade pela Comunicação Social foi transferida da área de Assuntos Parlamentares para a Presidência.
A queda da Trust in News e o aumento do salário mínimo, que custarão quase um milhão de euros anuais à Vasp, foram citadas como duas causas recentes para a fragilidade da empresa. “O que ocorreu com a Trust in News foi uma tragédia para a Vasp”, afirma Mário Galinha.
“A distribuição de imprensa não é a mesma coisa que vender pão”, salienta o administrador da Vasp, Rui Moura, em sua resposta aos deputados, enfatizando a complexidade envolvida na distribuição de jornais.
O administrador observa que o Estado já subsidia uma empresa há décadas para assegurar o transporte aéreo da imprensa para as regiões autónomas e argumenta que não é viável que editores e pontos de entrega arcando com mais custos — prática que já está em vigor desde 2020/21 no território nacional.
Rui Moreira apoia a proposta do Livre de criar um fundo para que as escolas adquiram jornais e revistas. Isso ajudaria a “dinamizar o sistema, envolvendo os jovens na leitura e sustentando os pontos de venda, a distribuição, e até os editores”.
O administrador ressalta que a empresa sempre manteve diálogo com todos os grupos parlamentares e teve uma reunião recente com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).
“Não estamos pedindo nada, se a atividade não é viável, devemos interrompê-la“, resume Marco Galinha. Ele também indica que não tem conhecimento de qualquer proposta de solução encaminhada pelo Governo à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).
Por sua vez, Rui Moura acrescenta que a empresa se reuniu recentemente com a ANMP, e não foi informada sobre o tema.
