Militares consertam telhado de casa de idosa na Coelheira com lonas

Militares consertam telhado de casa de idosa na Coelheira com lonas

Na segunda-feira, militares equipados com ferramentas de engenharia estavam a reparar o telhado da casa de Arminda Simões, na aldeia da Coelheira, em Figueiró dos Vinhos, que havia sido destruído na quarta-feira passada pela depressão Kristin.

“Já vejo socorro”, desabafou a idosa de 80 anos, esboçando um breve sorriso ao ver a chegada dos militares.

Vestida com casacos de lã pretos e um chapéu negro para se proteger do vento e da chuva gelada, Arminda Simões expressou sua preocupação e tristeza ao ver sua casa destruída pela tempestade, lamentando a perda de toda a comida que tinha armazenada na arca, já que a eletricidade falta há seis dias. “Estragou-se a comida toda, um prejuízo grande. O teto está todo escavacado”, exclamou.

Enquanto observa os militares trabalhando, Arminda recorda que naquela noite da tempestade Kristin foi acordada pela água que lhe batia no rosto.

“Pensei que morria. Tive medo do barulho do vento, nunca vi coisa igual. Foi assustador. Saí da cama de pijama e fugi para a casa do meu filho, que mora ali perto”, descreve.

A lona de vinil branca que está a ser colocada esta tarde no telhado da casa de Arminda tem mais de seis metros de comprimento e foi estendida pelos militares na praça da aldeia.

A forte chuva que caía no momento não interrompeu os trabalhos. Com escadas altas, fios para segurar as lonas, vassouras, martelos e uma variedade de ferramentas, os militares continuaram a trabalhar sem parar.

Em entrevista à Lusa, o alferes Luís Sousa explicou que as principais dificuldades enfrentadas são a chuva e o acesso às casas e telhados.

“Isto é um trabalho bastante moroso”, admitiu, acrescentando que não consegue especificar quantas habitações o destacamento conseguirá abordar na segunda-feira.

Desde sábado, os militares conseguiram ajudar em três habitações, sendo a de Arminda Simões a quarta, que ficou desalojada e está a viver na casa de um dos filhos.

Nas proximidades da casa, havia duas viaturas do Exército, uma viatura pesada e um equipamento de engenharia com uma plataforma elevatória para facilitar a colocação da lona no telhado.

Durante os trabalhos, um dos militares perguntou à idosa se ela havia comido algo e a convidou para beber um chá quente com ele.

A expectativa é que esta noite o telhado da casa de Arminda esteja mais protegido da chuva incessante.

O presidente da Junta de Freguesia de Figueiró, Arlindo Dinis, fez um apelo à E-Redes para restabelecer a eletricidade no concelho, lamentando que continuem a sentir-se isolados há seis dias.

“O que agora está a dar energia são os geradores ligados a PT [postes de transformação], mas apenas no centro urbano para os serviços essenciais. Desde o início pedimos geradores para as freguesias de Figueiró dos Vinhos e até agora não chegaram”, denunciou Arlindo Dinis.

O autarca afirmou que a população está a “desesperar sem luz em casa há seis dias” e se sente discriminada, já que sabe que a eletricidade foi restabelecida em outros concelhos do distrito de Leiria.

Segundo o presidente da junta, “75% das habitações do concelho ficaram danificadas” e “muitas casas ainda estão sem proteção nos telhados”.

O tenente-coronel Hélder Parcelas, porta-voz do Exército, informou que um Destacamento de Engenharia do Exército está em Figueiró dos Vinhos desde sábado, trazendo “18 toneladas de lona” de Famalicão, distrito de Braga, com a missão de reparar provisoriamente os telhados afetados e lidar com as chuvas previstas para os próximos dias.

Rúben Filgueiras, um empresário da construção civil de 25 anos, contou que todo o seu negócio foi destruído e que tem seguro, mas agora precisa fotografar tudo e buscar apoio da Câmara de Figueiró.

“Tenho prejuízos de mais de 30 mil euros”, disse, mencionando que, apesar de os contentores terem sido danificados, a empresa está tentando ajudar clientes que solicitam lonas para os telhados.

“Estamos a ajudar os nossos clientes com telhas, mas está a ser difícil encontrar certos tipos de telhas antigas que já não são fabricadas”, lamentou.

Nove pessoas morreram desde a semana passada em decorrência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente relacionadas à passagem da depressão Kristin, além de uma outra morte anunciada pela Câmara da Marinha Grande, e depois três óbitos registrados por quedas de telhados ou intoxicação com origem em um gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes ou restrições em estradas e serviços de transporte, especialmente linhas ferroviárias, fechamento de escolas e falta de eletricidade, água e comunicações foram as principais consequências do temporal, que resultou em várias centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.

ondaCoimbra.pt
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