A margem direita do rio Mondego cedeu, esta quarta-feira, em Casais, perto de um viaduto da autoestrada que liga Lisboa ao Porto (A1). O primeiro-ministro alertou para a “possibilidade de outras ruturas ocorrerem nas próximas horas”.
“Por indicação da Proteção Civil, a BCR – Brisa Concessão Rodoviária comunica que está cortado o trânsito na A1 entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul (kms 198-189) em ambos os sentidos”, explicou a empresa ao ECO. A alternativa é usar o IC2.
Luís Montenegro, durante uma conferência de imprensa em Coimbra, destacou a “possibilidade de novas rupturas ocorrerem nas próximas horas”. O primeiro-ministro indicou que o dique que liga Coimbra à Figueira da Foz corre o risco de colapso.
“Já tínhamos a consciência de que estávamos próximos do limite de escoamento do caudal do Mondego, e a situação poderia surgir. Todas as medidas preventivas foram implementadas”, afirmou o primeiro-ministro, acompanhado por Marcelo Rebelo de Sousa, pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e pela autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa.
“Estamos ainda a enfrentar horas de precipitação constante e intensa (…). Poderemos ter um alívio amanhã, mas isso não diminuirá nossa necessidade de manter vigilância total e absoluta”, acrescentou.
A Proteção Civil afirmou que, antes das declarações de Montenegro, a rutura do dique não terá “impactos significativos” nas comunidades, uma vez que a “água está a escoar para áreas agrícolas”.
A Câmara de Coimbra iniciou a evacuação de entre 2.800 a 3.000 pessoas de suas casas na terça-feira, devido ao risco de cheia no Mondego. Além da evacuação de civis, três lares em São Martinho do Bispo foram evacuados, conforme noticiado pela autarca. Com o risco de inundações em várias zonas do concelho, todas as escolas em Santa Clara e Castelo Viegas, São Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila encerraram na quarta-feira.
Na conferência de imprensa de quarta-feira, Ana Abrunhosa anunciou novas áreas que precisam ser evacuadas – São Martinho de Árvore, Quimbres, em São Silvestre, e São João do Campo – devido às inundações do rio Velho. A autarca também reconheceu a possibilidade de um “colapso” em outras partes do dique ao longo do Mondego, especialmente com as previsões de condições climáticas adversas entre quinta e sexta-feira.
De acordo com Ana Abrunhosa, uma nova conferência de imprensa será realizada no sábado e, até lá, todas as “medidas de proteção e salvaguarda de pessoas e bens” permanecerão em vigor, iniciadas na terça-feira à tarde. “Pedimos paciência. Sabemos que não é fácil, já se passaram várias semanas, mas temos esperança de poder trazer boas notícias no sábado. No entanto, não podemos ser descuidados, pois não sabemos se o dique irá romper em outros locais”, enfatizou.
Dezasseis pessoas perderam a vida em Portugal devido às depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também resultaram em centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro enquanto tentava consertar o telhado da casa de um familiar, em Pombal, e faleceu em 10 de fevereiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de residências, empresas e infraestruturas, além da queda de árvores e estruturas, encerramentos de estradas, escolas e serviços de transporte, e interrupções de energia, água e comunicações, assim como inundações e cheias, são algumas das principais consequências materiais provocadas pelas intempéries.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. O Governo decidiu prolongar a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que podem chegar a 2,5 mil milhões de euros.
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