Fesap solicita ao Governo que vá “mais além” para alcançar um “bom porto” na Administração Pública

Fesap solicita ao Governo que vá “mais além” para alcançar um “bom porto” na Administração Pública

O secretário-geral da Fesap reiterou esta sexta-feira que “governar é optar” e fez um apelo ao Governo para ir “mais além” na proposta apresentada aos sindicatos, com o objetivo de alcançar um “bom porto” para um novo acordo na Administração Pública.

“Se o Governo realmente se comprometeu com a Administração Pública e a qualidade dos serviços públicos, precisa de ir um pouco mais além para que possamos chegar a um bom porto”, afirmou José Abraão, secretário-geral da Fesap, referindo-se a um novo acordo plurianual de valorização dos trabalhadores do setor público, que está em discussão com os sindicatos.

O Governo já demonstrou disposição para avançar com um novo acordo, propondo, entre outras medidas, um aumento de 10 cêntimos no subsídio de refeição para os funcionários públicos a partir de 2027, além de aumentos de 2,30%, com um mínimo de 60,52 euros até 2029. Nesse sentido, o secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesap), reeleito para um terceiro mandato em assembleias-gerais, pediu ao Governo que considere algumas de suas propostas.

Entre as propostas destacadas estão a criação de carreiras para “auxiliares da ação educativa ou de apoio educativo”, bem como “acelerar” a implementação do ‘acelerador de carreiras’, que foi introduzido pelo antigo governo de António Costa, além da revisão das carreiras que ainda não foram avaliadas e da “valorização das carreiras gerais”.

“Estamos disponíveis e abertos a todo o tipo de negociações, independentemente dos temas, desde que sejam sensatas, razoáveis e que melhorem o funcionamento dos serviços públicos”, destacou durante o encerramento do seminário “Reformar o Estado Valorizando os Salários e os Trabalhadores”, realizado hoje na sede da União Geral dos Trabalhadores em Lisboa.

Por parte do Governo, a secretária de Estado da Administração Pública aproveitou sua intervenção inicial para relembrar algumas medidas já adotadas, como o acordo plurianual em vigor, a recuperação do tempo de serviço dos professores e os suplementos de missão e risco das forças de segurança. Ela enumerou ainda “seis medidas” que considera prioritárias.

Dentre essas medidas, Marisa Garrido enfatizou a revisão do Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP) ou a possível criação de um “novo” sistema de avaliação de desempenho com “prêmios relevantes, focados em mérito e resultados alcançados”, lembrando que atualmente “existem prêmios por decisão gestora e reposicionamentos”.

A secretária de Estado mencionou que está sendo criada “uma plataforma única de recursos humanos”, considerando que atualmente existem “mais de 100 plataformas dispersas pela administração pública”, e que desde setembro, em conjunto com a DGAEP, tem realizado reuniões com várias entidades da administração central para conscientizá-las sobre a importância da avaliação de desempenho.

“Carregamos uma grande responsabilidade no que estamos a fazer”, assegurou a governante, ressaltando que a proposta de Orçamento de Estado para 2026 (OE2026) destina um “valor relevante” à Administração Pública. Tudo “tem sido feito com muito cuidado e focado na sustentabilidade financeira”, acrescentou.

Quanto à auditoria iniciada pela Inspeção-Geral de Finanças sobre a aplicação do “acelerador de carreiras”, a secretária revelou que já existem “resultados preliminares”, mas não forneceu detalhes. Por sua vez, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, garantiu que o Governo “está comprometido em assegurar a equidade na progressão” e lembrou que a revisão das carreiras gerais está prevista para 2027.

O acordo atual, assinado em novembro de 2024 com duas das entidades sindicais da Função Pública (Fesap e Frente Sindical), prevê aumentos de 2,15%, com um mínimo de 56,58 euros para o próximo ano. Para 2027 e 2028, o acordo estabelece aumentos de 2,3%, com um mínimo de 60,52 euros, além de, entre outras medidas, uma atualização de 5% no valor do subsídio de alimentação a partir deste ano.

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