No sexto dia de campanha, António Filipe escolheu Coimbra para realizar seu primeiro comício. Ele direcionou suas críticas não apenas aos candidatos do consenso neoliberal, que agora são chamados de “candidatos do Governo”, mas também às declarações do porta-voz do Livre, Rui Tavares, que na quinta-feira lamentou que os candidatos de esquerda estão optando pela “política do costume”. Filipe ironizou a crítica, afirmando que, se esta se destinasse aos “candidatos de esquerda”, então estaria claramente se referindo a ele.
concurso de ideias giras”, e que a expectativa em relação ao Chefe de Estado é de “determinação e coragem política na defesa dos valores da Constituição”, utilizando seus poderes constitucionais para não compactuar com políticas neoliberais.
Filipe garantiu que essa postura não é a “política do costume”, mas sim uma candidatura da convergência dos valores da esquerda, expressando sua preocupação com os apelos que visam impedir vitórias da direita, convergindo “não na esquerda, mas mais ou menos ao centro”. Mesmo com sondagens desfavoráveis para os candidatos que ele considera parte da esquerda, ele pediu que se abandonasse a “ideia de que a esquerda está derrotada”.
“Rejeitamos completamente essa ideia, mesmo reconhecendo as dificuldades do tempo atual, a ofensiva reacionária que enfrentamos, a hegemonia da direita nos órgãos de soberania e a propagação de valores como intolerância e boçalidade que dominam o discurso político de alguns candidatos”, afirmou.
Filipe se opõe à noção de que “o povo que fez a Revolução de Abril esteja derrotado”. “Não estão derrotados, não estamos derrotados, pois vamos à luta para afirmar os valores pelos quais ocorreu o 25 de Abril, que não são apenas memória do passado.”
Quem são os candidatos do “consenso neoliberal”? Para António Filipe, há cinco: Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo e António José Seguro. Ele os considera não apenas parte daquela categoria, mas também “candidatos do Governo”, que lamentam as consequências de suas próprias defesas.
Na manhã em Lisboa, Filipe foi questionado sobre a carta do ex-presidente da Iniciativa Liberal ao Governo, na qual ele se comprometia a ser um aliado a partir de Belém, se determinadas condições fossem atendidas. Filipe respondeu com ironia: “Não tenho dúvida de que o candidato Cotrim de Figueiredo é um aliado do Governo, isso não é novidade. Ele concorda com o Governo no que é essencial”.
Ele também mencionou que há outros aliados, que descreveu como “agentes ativos das políticas que têm sido implementadas”: “O Governo tem vários candidatos”, assegurou. “As políticas do Governo contam com apoio de alguns candidatos dispostos a respaldar as diretrizes que têm sido seguidas, como Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo em diversas ocasiões, e até o próprio António José Seguro, que não se distanciou o suficiente das escolhas desastrosas dos governos anteriores.”
