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Jornal da meia-noite na Rádio Observador com Martim Madeira. Martim, começamos com um tema que está em destaque a esta hora: a greve laboral.
O secretário-geral do PCP já se pronunciou, e agora é a vez do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza. Vamos ouvir suas declarações à imprensa, começando pela CNN Portugal.
Com toda a sinceridade, acredito que a previsão de Luís Montenegro é uma demonstração de desespero, uma tentativa de desmobilizar as pessoas. Ao longo do tempo, o que foi dito é que quem não era sindicalizado não poderia fazer greve, quem não pertencia aos sindicatos da CGTP também não poderia. Um conjunto de estratégias para tentar impedir que a greve seja massiva. Nenhuma delas funcionará. Assim como no dia 11 de dezembro, esta greve será significativa e essencial para garantir que o pacote laboral seja rejeitado, porque é assim que deve ser.
Essas foram as declarações do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, neste momento, em Lisboa, através da CNN Portugal. O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, também se pronunciou, afirmando que o governo declarou guerra aos trabalhadores. Ele falou com jornalistas em frente à sede do Metro de Lisboa, que já está fechada. O comunista diz que o governo fez uma escolha e que os trabalhadores estão respondendo de maneira adequada. Vamos ouvir Paulo Raimundo.
Acredito que o governo fez uma opção, que foi desafiar os trabalhadores com o pacote laboral, levando à precariedade, à regulação dos horários, à definição de justa causa, pressionando quem trabalha. Essas decisões colocaram o Metro em funcionamento e estão recebendo uma resposta. Essa resposta já foi percebida no dia 11 de dezembro, tanto no Metro quanto nas empresas, nos locais de trabalho, nas ruas. Aqui está uma grande greve geral para dizer não a este pacote laboral.
Essas palavras de Paulo Raimundo, que também critica a arrogância do governo. Neste momento, podemos ouvir Tiago Oliveira, que está falando na sede do Metro de Lisboa, abordando a situação através da SIC Notícias.
Cada um de nós com horários de trabalho atacam o direito à greve, facilitam os despedimentos. Tudo isso permanece no pacote laboral e tem sido o motor que conduziu os trabalhadores a esses grandes movimentos de luta nos últimos 10 meses, culminando na grande greve geral que realizamos em dezembro passado. E agora, temos mais uma grande greve geral, um novo momento de luta, de afirmação.
Falamos aqui da última grande greve geral.
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, relata que este é um momento significativo de greve geral, e a mobilização já ocorre à noite. Muitas pessoas já estão organizadas, especialmente junto ao Hospital de São José, em Lisboa, e na sede do Metro de Lisboa, onde Tiago Oliveira e Paulo Raimundo estão. A adesão à greve geral já é visível, com alguns serviços paralisados.
Martim, após as declarações de Paulo Raimundo, percebemos que os efeitos da greve já são visíveis. Saúde, educação e transportes são os setores mais atingidos.
O Metro de Lisboa, por exemplo, já está encerrado. Esta paralisação, convocada pela CGTP, não conta com o apoio da UGT. O novo pacote laboral proposto pelo governo é o foco das reivindicações. Os efeitos da greve já começam a aparecer no setor de transportes, mas as primeiras horas da noite mostrarão mais claramente o impacto desta paralisação. Vamos entender quais são esses impactos durante a noite e também amanhã.
Quando o relógio marcar 23h, o Metro de Lisboa encerrará suas atividades. A transportadora da capital não tem serviços mínimos, portanto, a operação só será retomada às 06h30 do dia 4. A Transtejo também não terá serviços mínimos, o que significa que não haverá transporte fluvial entre as margens do rio Tejo. A única alternativa para atravessar o rio será a Fertagus. A Carris garantiu que 12 linhas estarão em funcionamento, mas em horários diferentes. A CP já afirmou que haverá serviços mínimos, com alguns comboios urbanos em Lisboa, Porto e Coimbra, além de alguns alfa pendulares, intercidades e regionais. É essencial verificar os horários dos comboios no site da CP. No Porto, as últimas viagens do metro hoje ocorrerão entre 22h e 23h, mas haverá serviços mínimos para amanhã. A transportadora portuense funcionará ao longo do dia na linha amarela entre Santo Ovídio e o Hospital São João, e entre as estações da Senhora da Hora e do Estádio do Dragão. Na educação, a greve pode resultar no adiamento de um exame de português do sexto ano. No ensino superior, a paralisação engloba todos os docentes e pesquisadores das universidades e institutos politécnicos. Além das aulas, avaliações e participaçōes em júris de avaliação podem estar ameaçadas a partir de amanhã. Na saúde, os sindicatos dos médicos e enfermeiros afirmam que haverá ampla mobilização para a greve, e os impactos já são percebidos no início da noite de hoje devido ao começo dos turnos. Pela primeira vez na história, a linha SNS 24 estará em greve, o que pode aumentar os tempos de resposta para duas ou três horas, mesmo em casos potencialmente graves. Os serviços do Estado também enfrentarão desafios, com o Instituto dos Registos e Notariado garantindo apenas serviços mínimos para atos urgentes e atendimentos de emergência. Esperam-se dificuldades também nas repartições de finanças e tribunais.
O jornalista João Lourenço trouxe as principais dificuldades que a greve pode causar. Esta é a segunda greve geral que o governo de Luís Montenegro enfrenta em apenas seis meses. Lembramos que a partir das 10h haverá uma manifestação que se estenderá até às 14h30, com destino à Assembleia da República.
O Ministro da Presidência acredita que a alta taxa de desemprego entre jovens se deve à atual legislação laboral.
António Leitão Amaro, em entrevista ao Correio da Manhã, refutou as críticas dos sindicatos de que a nova proposta de alteração à lei retira direitos dos trabalhadores, abordando a questão do desemprego e da precariedade juvenil em Portugal.
Portugal possui uma legislação mais rígida, atrasada e com menos flexibilidade, o que dificulta a organização da vida familiar dos trabalhadores.
Mas ele acredita que a rigidês da lei é o que resulta na alta taxa de desemprego jovem em Portugal?
Com certeza. Parte da explicação não é apenas que o desemprego jovem seja o triplo do desemprego normal, mas também que a precariedade entre os jovens é três vezes maior do que entre os trabalhadores em geral. Por quê? Porque temos uma legislação que é muito rígida, que protege contratos existentes, mas desprotege quem está entrando no mercado.
O ministro também comentou sobre a prestação social única, destacando que os portugueses precisam trabalhar para combater a pobreza sem depender de subsídios.
André Ventura mencionou que a proposta de seu partido para a redução da aposentadoria para 65 anos ou 40 anos de contribuições custará 1,8 bilhões de euros, mas ele já possui uma solução para financiar isso.
Ele enfatiza que, apesar de representar um gasto adicional para o governo, esse valor é equivalente a dois anos de desperdício na saúde. Ventura alega que esse montante pode ser financiado pelos imigrantes que contribuem para a Segurança Social.
Ele afirma que há um superávit na Segurança Social atribuído aos imigrantes, estimado em 4 bilhões de euros. E considera razoável que os imigrantes que chegam a Portugal, além de receber benefícios em saúde, habitação e subsídios, possam contribuir para que aqueles que estão no país mais tempo consigan um benefício de aposentadoria mais digno, com uma redução na idade da reforma.
Porém, essa ideia de superávit poderia se esgotar muito rapidamente.
Não. Se temos uma contribuição anual de 4 bilhões dos imigrantes, metade ou menos pode ser utilizada para que os portugueses tenham uma aposentadoria mais digna.
Essas foram as declarações do líder do Chega em uma entrevista à CNN Portugal. Ele também comentou sobre se a ministra do Trabalho se equivocou ao falar em 2,5 bilhões de euros para a medida, e Ventura acredita que Maria do Rosário Palma Ramalho tanto errou quanto não conseguiu comprovar esse valor claramente. O líder do Chega também se manifestou contra a reforma trabalhista, reafirmando que se oporá a essa proposta.
Esta é uma reforma trabalhista negativa, que passa uma mensagem errada ao país. Estamos prontos para lutar.
Amanhã teremos uma greve geral, o senhor mantém suas reivindicações?
A greve não é uma preocupação para mim. A greve é um direito dos trabalhadores. A CGTP decidiu realizá-la. Porém, esta reforma trabalhista é ruim e não terá o apoio do Chega.
Essas foram as declarações de André Ventura à CNN Portugal, reafirmando a falta de apoio do Chega à reforma trabalhista.
Passam nove minutos da meia-noite, Martim, que outras notícias estão em destaque?
A administração de Donald Trump decidiu não criar um fundo de quase 2 bilhões de dólares destinado aos aliados de Trump como reparações. O anúncio foi feito pelo procurador dos Estados Unidos durante uma audiência no Congresso, explicando que o recuo se deve à pressão dos republicanos e aos obstáculos jurídicos. No entanto, Todd Blanche afirma que nada mudará com o acordo para retirar as acusações fiscais contra o atual presidente. Este projeto havia sido apresentado como uma forma de compensar supostas ações do Departamento de Justiça durante o mandato de Joe Biden contra Donald Trump. O secretário de Estado dos EUA garante que o Irão será monitorado durante o Mundial. Marco Rubio afirma não ter problemas com a seleção iraniana, mas confirma que a delegação do país será observada de perto. O secretário de Estado esclarece que os EUA querem evitar a entrada de pessoas sem vínculo ao desporto, como integrantes da Guarda Revolucionária Iraniana. Ele acrescenta que os torcedores enfrentarão um rigoroso processo de verificação para entrar no país. Não sei se você está ciente, Filipa, do poder da internet.
Imagino que seja bastante poderoso.
É realmente forte. E não sei se você se lembra, há um tempo atrás, um influenciador argentino chamado El Scarzo conseguiu reunir várias pessoas para assistir a um jogo do Sport Club de Cascais. Ele mobilizou seus seguidores em uma transmissão ao vivo, e conseguiu reunir milhares de espectadores.
Isso me deixa mal, pois sou de lá, então fica ainda pior.
Isso aconteceu, mas agora há algo ainda mais interessante que ele proporcionou em relação ao Mundial. Um jogador da Nova Zelândia chamado Tim Payne tinha 4 mil seguidores no Instagram em 27 de maio, e El Scarzo pediu aos fãs que o seguissem. Hoje, Tim Payne conta com 4 milhões de seguidores.
Ele se tornou um influenciador.
Sim, ele é um dos jogadores mais seguidos do Mundial.
Sério?
Sim, 4 milhões de seguidores nas redes sociais.
É mais do que o presidente do Brasil?
Por exemplo, considerando os jogadores portugueses, ele tem mais seguidores do que Trincão, que não chega a um milhão, mais do que Gonçalo Ramos, Diogo Costa, Pedro Neto, João Neves, Nelson Semedo, Diogo Dalot, Nunes e Ruben Dias. Todos esses têm menos seguidores que Tim Payne, um jogador da Nova Zelândia que atua na Liga da Austrália.
Mas espera, isso é graças a quem? Relembre o nome desse sujeito.
Precisamos agradecer a El Scarzo, o streamer argentino.
Portanto, quem precisar de aumentar seus seguidores nas redes sociais, talvez valha a pena fazer um pedido.
Talvez isso ajude.
Muito bem. Martim Madeira com o jornal da meia-noite da Rádio Observador.
