A Direção-Geral da Saúde (DGS) apresentou esta quarta-feira recomendações aos municípios para proteger as populações das altas temperaturas e ondas de calor, destacando o “papel de proximidade essencial” que têm na preparação e resposta a esses eventos.
“Os municípios e freguesias desempenham uma função fundamental na preparação e resposta a estes acontecimentos, em colaboração com vários parceiros”, aponta o guia, ressaltando que as alterações climáticas têm intensificado a frequência, a gravidade e a duração das ondas de calor em Portugal e na Europa, configurando um “importante problema de saúde pública”.
A DGS identifica quatro grupos populacionais mais vulneráveis: pessoas com mais de 65 anos, crianças com menos de cinco anos e grávidas; indivíduos com doenças crónicas e deficiência ou dependência, incluindo os que se encontram acamados ou com mobilidade reduzida; pessoas que vivem sozinhas ou em situação de sem-abrigo; e trabalhadores expostos ao calor e indivíduos institucionalizados.
No que diz respeito ao planeamento, a DGS aconselha os municípios a integrarem nos Planos Municipais de Emergência e Proteção Civil ações específicas para temperaturas extremas, alinhadas com o Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde para Temperaturas Extremas Adversas.
Além disso, devem assegurar, em colaboração com diversas entidades, a sinalização de pessoas mais vulneráveis, mantendo uma lista atualizada, realizando contactos preventivos e promovendo, sempre que viável, visitas domiciliárias, conforme indicado no documento.
No âmbito das medidas comunitárias, a DGS recomenda a criação de locais de abrigo temporários (zonas de arrefecimento), a disponibilização de água potável, a garantia do funcionamento adequado dos bebedouros públicos e a prorrogação dos horários de bibliotecas, piscinas e outros equipamentos climatizados na vizinhança.
Para os espaços públicos, sugere-se que sejam ampliadas as zonas de sombra, instaladas estruturas temporárias de sombreamento e arrefecimento, e que os horários dos trabalhos realizados por equipas municipais ao exterior sejam adaptados.
Os municípios também devem assegurar uma coordenação contínua entre a autoridade de saúde e a unidade local de saúde da sua região, assim como com bombeiros, forças de segurança, Cruz Vermelha Portuguesa, Segurança Social e instituições sociais.
A DGS ainda alerta os municípios para darem especial atenção à adaptação das medidas em áreas e bairros que abriguem grupos mais vulneráveis ou que enfrentem níveis altos de pobreza energética.
As autoridades de saúde antecipam um aumento da mortalidade nos próximos dias devido à esperada onda de calor, com máximas que podem atingir os 44 graus, conforme indicado pela secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.
Os distritos de Lisboa e Setúbal estarão sob aviso vermelho, o nível mais severo, devido ao calor a partir de quinta-feira, com a previsão de que este se estenda na sexta-feira para Coimbra e Leiria, segundo o IPMA.
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) solicitou esta quarta-feira a “proibição liminar” do uso de fogo, especialmente em áreas florestais, devido às altas temperaturas, enfatizando que serão disponibilizados abrigos climatizados para a proteção das populações mais vulneráveis.
O presidente da ANMP, Pedro Pimpão, destacou as preocupações dos municípios em relação à previsão de calor extremo nos próximos dias, com temperaturas superando os 40 graus Celsius, e confirmou que estão prontos para implantar os planos de emergência, oferecendo medidas de apoio para ajudar as populações a lidarem com os efeitos do calor.
