Os portugueses e lusodescendentes que residem na Venezuela estão alarmados com as constantes ameaças e a crescente tensão entre a Casa Branca e o regime de Nicolás Maduro. Nas últimas semanas, as forças norte-americanas já causaram a morte de mais de 80 pessoas em ataques aéreos, gerando temores de um possível conflito armado.
Após as autoridades de aviação dos Estados Unidos terem classificado a Venezuela como um “espaço aéreo não seguro”, seis companhias aéreas, incluindo a portuguesa TAP, a Ibéria e a brasileira GOL, decidiram cancelar suas rotas para Caracas no último sábado.
O lusodescendente Denis Gonçalves expressou sua preocupação com a pressão da administração Trump nos últimos meses. Ele declarou: “Estamos em real ameaça pelo governo dos Estados Unidos da América.”
“O governo norte-americano está a fazer pressão”, admitiu.
Denis Gonçalves compartilhou que “tanto descendentes portugueses, como venezuelanos estão a querer sair” antes que um confronto armado com os EUA tenha início. “Estamos isolados.” Com os voos cancelados após uma recomendação da Federação de Aviação norte-americana, ele espera que os países da União Europeia possam retomar os voos internacionais e colaborar nesse novo esforço para depor Maduro. “Ninguém quer estar numa situação de guerra.”
Questionado sobre a possibilidade de deixar o país, Denis expressou incertezas: “Sou empresário e tenho o meu pai aqui, já idoso, e a ideia de sair daqui é difícil.”
Contudo, ele considera a possibilidade de retornar à “nossa segunda casa” se a situação se deteriorar, pois “obviamente as condições na Venezuela não são as melhores.”
O diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa no arquipélago da Madeira, Sancho Gomes, confirmou que a pressão norte-americana “está a dar muitos constrangimentos à população”, mas afirmou que “a Madeira estará sempre disponível para receber os filhos da terra.”
“Esta suspensão de voos merece a nossa maior atenção, porque temos uma comunidade de lusodescendentes de origem madeirense que estimamos que seja entre 350 a 400 mil pessoas.”
De acordo com Sancho Gomes, cerca de 12 mil pessoas que vieram da Venezuela chegaram à Madeira entre 2015 e 2020. O diretor aconselha que as comunidades se mantenham calmas e atentas, já que “não se sabe quanto tempo vão durar as ordens de cancelamento.”
No entanto, ele ressalta que não há indicações de que os lusodescendentes pretendam retornar a Portugal. “Conversei com vários membros da comunidade madeirense na Venezuela e eles me disseram que há alguma apreensão com este alerta, mas as pessoas continuam levando suas vidas, trabalhando e com seus filhos nas escolas.”
[Notícia atualizada às 18h20 para acrescentar declarações do diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa do arquipélago da Madeira, Sancho Gomes]

