Imported Article – 2025-12-05 22:25:59

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Cinco câmaras municipais que fazem fronteira com a albufeira de Alqueva, no Alentejo, manifestam oposição à implementação de uma nova central fotovoltaica flutuante na barragem, alegando que isso comprometerá o desenvolvimento do turismo, e já expressaram suas preocupações ao Governo.

Os autarcas de Moura, no distrito de Beja, e de Reguengos de Monsaraz, Portel, Alandroal e Mourão, no de Évora, se reuniram esta semana com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para compartilhar suas inquietações.

“Se o lago estiver repleto de painéis fotovoltaicos, isso afetará negativamente o tipo de turismo que o Alentejo deseja e necessita”, declarou hoje à agência Lusa a presidenta da Câmara de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates (PSD).

O autarca de Moura, Álvaro Azedo (PS), afirmou à Lusa que o projeto “desfavoravelmente impacta tudo o que está sendo desenvolvido em torno da albufeira”, referindo-se às “dinâmicas do turismo, esportes e à preservação do recurso hídrico”.

O projeto é promovido pela EDP, que em 2022 venceu o leilão para a exploração de 70 megawatts (MW) de energia solar na albufeira de Alqueva, previsto para uma área da albufeira nos municípios de Moura, Portel e Reguengos de Monsaraz.

Nas declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Moura defendeu que “estes investimentos em energias fotovoltaicas não trazem qualquer benefício para os municípios, pelo contrário”.

“Desenvolver a região não é desviar os recursos da região para Lisboa e para as grandes empresas, mas sim disseminar pelos territórios os fatores de desenvolvimento e os investimentos do Estado”, enfatizou.

Destacando que, apenas no município de Moura, a central fotovoltaica flutuante ocupará 40 hectares, Álvaro Azedo ressaltou que, em uma determinada área, a barragem “ficará com um corredor de navegabilidade”.

“Isso irá arruinar completamente o que também tem sido transformador e um grande benefício para a região”, advertiu, alertando sobre o impacto negativo que os painéis solares terão na navegabilidade da albufeira.

O autarca de Moura também expressou seu descontentamento com o fato de que os municípios não são consultados sobre esses projetos.

A presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz apontou que esses municípios “já sofrem continuamente com uma série de carências” e optam por investir em “produtos locais para apresentar aos visitantes e no turismo”.

“Se o lago estiver repleto de painéis fotovoltaicos, isso afetará negativamente o tipo de turismo que o Alentejo deseja e necessita.”

“Reguengos de Monsaraz até recentemente dependia quase exclusivamente da agricultura e da vitivinicultura e agora já possui uma significativa fração de receitas oriundas do turismo“, enfatizando que “muitas famílias dependem” dessa área.

Marta Prates argumentou que os turistas da América do Norte ou dos países escandinavos “são visitantes exigentes que valorizam imensamente a relação entre preço e qualidade”, o que não se harmoniza com este tipo de projetos.

“Qualquer turista norte-americano não desejará navegar no lago Alqueva cercado por painéis fotovoltaicos. Em primeiro lugar, a beleza natural será comprometida, e as atrações turísticas também o serão”, adicionou.

As cinco câmaras municipais já solicitaram uma reunião à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para expor suas preocupações.

A EDP possui, desde 2022, uma central solar flutuante na albufeira de Alqueva, com uma capacidade de cinco megawatts (MW), com 12 mil painéis solares flutuando em quatro hectares da albufeira da barragem de Alqueva.

ondaCoimbra.pt
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