Instituições de educação especial encerradas no início do ano escolar de 2026

Instituições de educação especial encerradas no início do ano escolar de 2026

Portas fechadas. No primeiro dia de aulas de 2026, os colégios de ensino especial não abrirão as suas portas. Diretores, professores, funcionários e pais reúnem-se esta manhã, a partir das dez horas, em frente ao Ministério da Educação e Ciência, em Lisboa, para exigir a atualização urgente dos valores de financiamento destinados aos alunos com necessidades educativas especiais.

De acordo com os responsáveis pelas instituições, a situação financeira é considerada “dramática”, resultado da falta de revisão dos apoios públicos, o que ameaça a continuidade dos projetos educativos e coloca em risco o futuro escolar de 487 crianças e jovens. Essas são crianças encaminhadas pelo próprio Ministério da Educação, para as quais, enfatizam os colégios, “não existem respostas no ensino regular”.

Rodrigo Queiroz e Melo, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, declarou que, a médio prazo, a operação dos colégios de ensino especial pode estar seriamente comprometida.

“Atualmente, o valor por aluno que o ministério está a pagar já põe em causa a continuidade dessas escolas”, alerta. “Não estamos a falar de um fechamento abrupto ou imediato, mas, pelas condições atuais, não sabemos se estas escolas têm futuro”.

Os organizadores do protesto alertam que o sistema de ensino especial está “à beira do colapso”, com instituições em risco real de encerramento e centenas de famílias enfrentando a falta total de alternativas educativas. “É uma questão de exclusão e negligência que afeta diretamente alunos particularmente vulneráveis e suas famílias”, afirmam.

Atualmente, o Estado investe cerca de 3,49 milhões de euros por ano para garantir a educação desses 487 alunos. Segundo os colégios, o aumento mínimo necessário para assegurar a sobrevivência dos projetos educativos é de aproximadamente 2,15 milhões de euros, elevando o financiamento total para cerca de 5,6 milhões de euros anuais.

O protesto conta com o apoio da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo e é promovido pelos colégios de ensino especial CITP – Centro de Intervenção Técnico-Pedagógica, Colégio As Descobertas, Colégio Bola de Neve, Colégio Eduardo Claparède e Externato Alfredo Binet.

Os participantes exigem uma resposta urgente do Governo, alertando que, sem um reforço financeiro, dezenas de profissionais podem perder seus empregos e centenas de alunos ficar sem uma resposta educativa adequada.

ondaCoimbra.pt
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