Mobilização Conjunta das Comissões Justiça e Solidariedade da Europa contra o Crime Organizado

Mobilização Conjunta das Comissões Justiça e Solidariedade da Europa contra o Crime Organizado

As Comissões Justiça e Paz da Europa lançaram a Ação Concertada 2026 – A Europa e o Crime Organizado, um apelo às instituições políticas, judiciais, policiais, à sociedade civil e às Igrejas para uma resposta abrangente ao fenômeno do crime organizado, que consideram representar uma ameaça direta à dignidade humana e aos direitos fundamentais.

No documento recentemente divulgado, a Justiça e Paz Europa enfatiza que o crime organizado está associado a graves violações dos direitos humanos, incluindo agressões, homicídios, tráfico de drogas, prostituição forçada, abuso de menores, comércio de medicamentos falsificados e danos ambientais.

“A característica comum a estas práticas é a aceitação consciente de que pessoas sofram danos físicos ou emocionais e, em casos extremos, morram, sendo instrumentalizadas na busca do lucro”, diz o texto.

Os organismos abordam essas práticas à luz da doutrina social da Igreja, citando documentos como a Gaudium et Spes, a Centesimus Annus e Fratelli Tutti, e concluem que o crime organizado “representa um ataque direto à dignidade da pessoa humana, à integridade da Criação e à vocação das sociedades para servir o bem comum”.

Inspirando-se na encíclica Laudato Si’, o documento também estabelece uma conexão entre a degradação ambiental e a injustiça social, afirmando que “o clamor da terra e o clamor dos pobres estão indissociavelmente ligados: a devastação ecológica causada pela exploração criminosa dos recursos é inseparável do sofrimento imposto às comunidades vulneráveis”.

As Comissões Justiça e Paz Europa defendem uma noção ampla de segurança, fundamentada no conceito de segurança humana, que ultrapassa a violência direta e inclui riscos à saúde pública, ao meio ambiente e à coesão social. Para a organização, o combate ao crime organizado não deve ser restrito às forças policiais ou aos tribunais.

“Todas as sociedades afetadas devem prestar contas das formas como beneficiam, consciente ou inconscientemente, de determinadas práticas do crime organizado”, alerta o documento, citando exemplos como trabalho não declarado, evasão fiscal, consumo de drogas ou contratação de serviços ilegais.

No que se refere a propostas concretas, as diversas Comissões Justiça e Paz solicitam o reforço da cooperação europeia, a consolidação da Europol, a harmonização das estratégias nacionais e o investimento em prevenção, educação e conscientização, com especial atenção ao apoio às vítimas.

O documento também convoca as Igrejas a desempenharem um papel ativo nesta luta, começando pela conversão pessoal e comunitária.

“As paróquias, dioceses e instituições católicas devem se tornar locais de resistência à corrupção, exemplos de transparência e escolas de justiça e paz”, afirma o texto.

Inspiradas nas palavras do Papa Francisco, as organizações da Igreja recordam que “o crime organizado ataca milhões de homens e mulheres que têm o direito de viver suas vidas com dignidade e livres da fome e do medo da violência”.

Assim, defendem que as Igrejas devem denunciar consistentemente a corrupção, formar consciências através da doutrina social cristã e assegurar que suas estruturas e atividades econômicas não favoreçam nem tolerem práticas criminosas.

A nota conclui que opor-se ao crime organizado não é apenas uma necessidade política, mas uma exigência ética e evangélica, adotando esta Ação Concertada como um compromisso que une ação social, política e testemunho cristão na promoção da justiça e da paz na Europa.

ondaCoimbra.pt
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