Segundo o autor de “A Cegueira do Rio” (ed. Caminho), atualmente existe “um ambiente propício” para que surjam ideias de que “o outro está em excesso, seja por causa da raça ou do gênero”.
No que ele classifica como um cenário “apocalíptico”, Mia Couto alerta que isso facilita a “atribuição de culpas ao outro, aos emigrantes”. Abdulrazak Gurnah, nascido na Tanzânia e residente há décadas na Inglaterra, comentou que hoje “há uma grande diferença, pois existe uma maior consciência” sobre o racismo.
“Há atos de discriminação. Eu não sofri violência, mas, ao ouvirem-me, as pessoas não percebiam o impacto que suas palavras tinham”, recorda o Nobel sobre suas experiências nos primeiros tempos longe de sua terra natal. Lembrando que atualmente existem leis que proíbem a discriminação, Gurnah admite que tenta ignorar essas “pessoas repletas de ódio”.
