A estratégia de Teerão é transferir os efeitos da guerra para o bolso dos consumidores americanos e do resto do mundo. Se o conflito se arrastar, terá consequências sérias sobre a inflação e o crescimento econômico.
Donald Trump afirma que os EUA já venceram a guerra contra o Irão, mas continua a falhar onde o verdadeiro confronto ocorre: no Estreito de Ormuz. O tráfego de petroleiros e outros navios caiu para quase zero desde 2 de março, com operadores, empresas de transporte marítimo e seguradoras suspendendo operações na região.
A defesa do Irão é uma ofensiva contra a economia global. Teerão está atacando onde sabe que pode causar maior dano: bloqueando as exportações de bens energéticos do Golfo Pérsico, provocando a alta dos preços do petróleo e derivados, e levando os custos ao bolso dos consumidores americanos e do resto do mundo, aumentando a pressão por um cessar-fogo.
As infraestruturas de produção e armazenamento de gás foram pouco afetadas pelos ataques iranianos, mas sem escoamento não é possível a produção em maior escala. A Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a guerra no Médio Oriente como a “maior perturbação de sempre no mercado petrolífero global”, após ter anunciado uma libertação histórica de reservas (400 milhões de barris) que não foi suficiente para conter a alta do preço da matéria-prima. Na quinta-feira, o Brent voltou a atingir 100 dólares por barril.
Os esforços da Casa Branca para reabrir o estreito têm sido infrutíferos, com o Irão intensificando os ataques a cargueiros e petroleiros no Golfo Pérsico, aumentando a probabilidade de que o conflito, que já dura duas semanas, se prolongue.
“O fim não está à vista. O Estreito de Ormuz está, na prática, fechado e os mercados começam a detectar a possibilidade de um desfecho prolongado e incerto”, escreveu a Alpine Macro, uma consultora de estratégia geopolítica da Capital Economics, em uma análise recente.
Analistas agora admitem que o conflito pode durar cerca de dois meses, em vez de três semanas, o que eleva o risco de consequências graves para a inflação e a economia. No entanto, não se espera que dure muito mais, pois ambos os lados têm incentivos políticos para limitar a duração da guerra.
O Irão, por sua vez, enfrenta ataques sucessivos dos EUA e Israel que estão atingindo as instalações e o pessoal da Guarda Revolucionária, diminuindo a capacidade do aparelho repressivo do regime. Além disso, surgem rumores sobre uma luta de poder entre facções rivais, especialmente após a escolha de Mojtaba Khamenei como Líder Supremo. A auto-preservação deverá exercer pressão para encerrar o conflito.
Nos EUA, o custo de vida é um tema predominante e a guerra não é popular entre os eleitores. Se o Partido Republicano perder as maiorias na Câmara de Representantes e no Senado, o Partido Democrata terá mais facilidade em bloquear as decisões políticas de Donald Trump no Congresso.
O conflito tende a resultar em um cessar-fogo informal, a sobrevivência do regime iraniano, e todos os beligerantes reivindicando vitória, semelhante ao que ocorreu na Guerra dos 12 dias, em junho de 2025. Isso manterá a possibilidade de uma repetição nos próximos anos.
Aqui, as consequências da guerra se refletirão em mais um aumento do preço dos combustíveis na próxima semana, um impacto que o desconto no ISP pouco atenua. As exigências por intervenção do Governo prometem aumentar. Não é apenas nos EUA que a inflação corrói os rendimentos.
Após os apoios para mitigar os impactos da tempestade, poderão surgir necessidades de ajuda devido à guerra no Médio Oriente.
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