O secretário-geral do PCP manifestou críticas neste domingo à entrega gradual de “peçazinhas” do Orçamento do Estado durante o período eleitoral, evitando comentar e alertando que quem apoiar o documento deverá assumir as consequências.
Em declarações à imprensa após uma visita ao Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, em Arraiolos, no distrito de Évora, Paulo Raimundo destacou que “não é possível debater o Orçamento do Estado” em “peçazinhas”, logo após o primeiro-ministro revelar que a proposta orçamental incluirá uma nova redução do IRS.
“Estou ciente das armadilhas que o senhor primeiro-ministro lança. Ele afirma que o Orçamento do Estado só será tratado após as eleições — essas são suas palavras — e já tem reuniões agendadas — o que considero adequado, está buscando seu interesse –, mas vai soltando pequenas informações”, criticou.
O secretário-geral do PCP afirmou que não planeia “cair nas armadilhas do senhor primeiro-ministro”, ressaltando que estamos em um período eleitoral e que se entende bem “o que essas afirmações significam”.
Ao ser questionado se considera que o anúncio sobre o IRS é uma forma de eleitoralismo, Paulo Raimundo replicou com ironia: “Não, foi apenas uma coincidência”. “O mesmo primeiro-ministro que afirma que o Orçamento é para depois, acaba por revelar aspectos que considera positivos. É tudo por acaso”, criticou.
Em resposta às declarações do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que afirmou que viabilizar o Orçamento do Estado seria “mais fácil”, Paulo Raimundo afirmou: “Cada um terá de assumir as responsabilidades por suas decisões”. “Já mencionei, e peço desculpas pela repetição: tenho observado com interesse as disputas entre o PS e o Chega para determinar quem será o parceiro, quem será a ‘noiva’ do Governo”, observou.
Contudo, Paulo Raimundo reiterou que quem aprovar um Orçamento do Estado que, “segundo as palavras do próprio primeiro-ministro, é um instrumento da continuidade da política do Governo”, terá de “assumir suas responsabilidades”.
“Aquele que colocar sua assinatura embaixo terá que responder pelo que está fazendo e será responsável pelas consequências, que acreditamos serem desastrosas, desse caminho”, afirmou.
Ao ser indagado se o PCP manterá sua posição — o partido já indicou que votará contra o Orçamento do Estado —, Paulo Raimundo respondeu afirmativamente, afirmando que o partido pretende “enfrentar o orçamento”. “Se é um instrumento que serve para a continuidade da política, o que isso significa? Desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), fechamento de serviços de urgência, e uma estagnação brutal na resposta dos serviços públicos”, explicou.
Segundo Paulo Raimundo, o Orçamento também continuará a “redução escandalosa dos impostos para os que têm”, referindo-se ao IRC. “Então, o que esperavam que o PCP fizesse? Num orçamento que é um instrumento da política atual que vai contra as necessidades da maioria da população e os interesses de Portugal”, disse.
No sábado, o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, confirmou que o novo Orçamento do Estado apresentará mais uma diminuição do IRS.
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