Joaquim Carreira, presidente do Conselho de Administração da Lusa, anunciou nesta sexta-feira que um programa de rescisões voluntárias está sendo avaliado pela empresa, levando os sindicatos a convocar um plenário para a próxima quinta-feira.
Os sindicatos que representam os trabalhadores da Lusa (sindicatos dos Jornalistas, dos Trabalhadores do Setor de Serviços e das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente, Centro-Sul e Regiões Autónomas) divulgaram um comunicado sobre a realização de um plenário, após “o presidente da Lusa ter informado que apresentou um plano de saída de trabalhadores por acordo à tutela”.
“Ficámos a saber que, enquanto estávamos em negociações, já estava previsto rescindir com trabalhadores e os sindicatos não foram informados disso“, aponta o comunicado conjunto enviado aos colaboradores.
O presidente do Conselho de Administração confirmou, em declarações à Lusa, que as negociações prosseguirão e que se trata de um “plano de saídas voluntárias”, assegurando que não haverá despedimentos nem lay-off.
“É preciso qualificar, é preciso renovar e, portanto, poderia haver uma alternativa, que não é rescisões, mas sim um plano de saídas voluntárias“, afirmou.
Essas declarações foram feitas após a apresentação, na proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), de um plano de reestruturação da Lusa no montante de oito milhões de euros, que, segundo o PCA da Lusa, resultará em cerca de seis milhões de euros após o desconto do IVA, com fundos destinados a várias áreas da empresa.
“O plano inclui novos sistemas operacionais, tecnologias inovadoras, e investimentos em áreas onde atualmente somos menos competitivos […] e onde precisamos de investir: uso de inteligência artificial, criação de uma área de inovação acoplada à formação tecnológica e fortalecimento e requalificação da equipe”, disse o PCA.
Um dirigente do Sindicato dos Jornalistas criticou o plano, afirmando que a prioridade deveria ser o aumento dos salários, embora reconhecendo que o orçamento não será destinado exclusivamente a rescisões.
“Estamos totalmente contra, pois não vemos valor nisso. […] Para nós, seria mais sensato que esse valor fosse utilizado para melhorar os salários e as condições de trabalho dos que permanecem”, declarou o dirigente.
O plenário dos trabalhadores da Lusa está marcado para quinta-feira, dia 13 de novembro, às 15h30, na sede da agência de notícias em Lisboa.
