“O dinheiro dos contribuintes pode ser recuperado, total ou parcialmente, a empresa foi protegida e a economia nacional se torna mais robusta.” Essa afirmação é do ex-ministro da Economia em respostas escritas aos deputados da Comissão de Economia, cuja informação foi obtida pelo ECO. “Com o passar do tempo, com as notícias positivas sobre a performance recente da Efacec e sua valorização, há possibilidades de recuperação total ou parcial, uma vez que o contrato de venda celebrado com a Mutares estabelece que o Estado tem direito a 75% do valor gerado pela empresa,” explicou António Costa Silva. A nacionalização e posterior privatização da Efacec custou 484 milhões de euros, de acordo com o Tribunal de Contas.
Costa Silva enfatiza que a auditoria do Tribunal de Contas à Efacec, realizada em setembro de 2024, “reconhece que, com o acordo feito” com a Mutares, “o Estado pode recuperar 385 milhões de euros, aos quais se devem adicionar os 35 milhões de euros do empréstimo do Banco de Fomento, totalizando 420 milhões de euros.” Embora tenha destacado que “o valor final da recuperação dependerá das condições de mercado e da performance da Efacec,” “as notícias mais recentes de responsáveis da Efacec e da Mutares são excelentes.
Durante a conferência da Mutares com analistas e investidores para a apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, foi divulgado que a estimativa de vendas da Efacec era de 350 milhões de euros para 2026 e 450 milhões de euros para 2027. A projeção para o EBIDTA era de 42 milhões de euros para 2026 e mais de 60 milhões de euros em 2027. Quanto ao backlog para 2025, este era de 700 milhões de euros, e as encomendas para 2025 estavam estimadas em 430 milhões de euros,” apontou Costa Silva. “Estes indicadores são notáveis e confirmam a capacidade da Efacec de gerar valor e criar confiança na recuperação do investimento do Estado,” acrescentou.
Destacando que os resultados da Efacec demonstram que o problema da empresa estava relacionado ao “acionista”, permitir que a empresa continuasse operando “salvou um ativo” que não só “normalizou e consolidou” a rede de clientes mas também “manteve e expandiu sua carteira de projetos,” Costa Silva mencionou os projetos conquistados “na Dinamarca (sistemas de carregamento de comboios elétricos a baterias), em Portugal (subestação e transformadores para a unidade de produção de hidrogénio verde da Galp, em Sines, e Linha Amarela da rede de Metro do Porto), nos Estados Unidos (132 carregadores elétricos para a rede da cidade de Salt Lake City), nos Países Baixos (transformadores para a empresa Porthos), na Escócia (transformadores para a Scottish and Southern Electricity Networks), em França (sistemas para a modernização da rede elétrica do país) e em Espanha (transformadores para a rede de transporte de eletricidade). “Tudo isso comprova o potencial da Efacec e cria condições para a recuperação do investimento feito pelo Estado para preservar a empresa,” afirmou Costa Silva, acrescentando que “a Mutares deve permanecer na gestão por pelo menos cinco anos e o contrato prevê que qualquer decisão futura deve ser coordenada com o Estado.”
Em suas respostas por escrito, Costa Silva destacou que os “benefícios da intervenção do Estado na Efacec se tornarão mais evidentes com o tempo, conforme a recuperação da empresa, sua performance e a criação de valor. O foco no curto prazo, a mentalidade excessivamente ‘financeirista’ e a obsessão pelos custos imediatos geram frenesim político, exacerbando emoções, transformando o efêmero em essencial, mas perdem o foco. Focam na árvore, mas não veem a floresta.”
Refletindo sobre o passado, Costa Silva garantiu que sua intervenção “concentrou-se na vertente externa do processo,” buscando uma solução viável para a venda da empresa, conforme determinado na Resolução do Conselho de Ministros, que ordenou a nacionalização e que “mandou claramente a Parpública conduzir o processo e interagir com a Efacec, sob a supervisão do Ministério das Finanças.” “Reuni periodicamente com a Parpública e o senhor Secretário de Estado das Finanças para me manter informado sobre o estado do processo, as decisões tomadas e contribuir com recomendações e sugestões para o processo e para garantir os objetivos do Governo,” acrescentou.
Costa Silva fez questão de ressaltar que a decisão de nacionalizar a Efacec não foi sua e que herdou “o primeiro processo de privatização, que estava em fase final com a DST.” “O acordo estabelecido com a DST continha pressupostos financeiros que não foram aprovados pela Comissão Europeia e pela Direção-Geral da Concorrência (DG Comp), o que levou à falha desse primeiro processo de privatização,” explicou.
“O Governo tentou todas as alternativas para salvar esse processo, e eu pessoalmente fiz tentativas junto da DST para alinhar suas posições com os requisitos mínimos da Comissão Europeia e da DG Comp, incluindo o plafond de trade finance para acomodar as necessidades do investidor, mas chegou um ponto em que isso se tornou impossível, por isso o Governo decidiu seguir em frente com o segundo processo de privatização, após esgotar todas as tentativas realizadas,” detalhou.
“O que ocorrerá é o que sempre afirmei. A Efacec enfrentou dificuldades não por erros de gestão, mas por fatores externos relacionados ao colapso da sua estrutura acionista; preservar a empresa nesse contexto, uma empresa que é uma referência tecnológica e industrial do país, foi uma escolha acertada, pois o país só se tornará mais forte e se desenvolverá economicamente se estimular seu setor industrial,” concluiu.
