O PS classificou as declarações de um “ataque grave” que utiliza uma linguagem “inaceitável em qualquer circunstância”, enfatizando que a gravidade aumenta por serem dirigidas a “uma notícia baseada em factos objetivos”, visto se fundamentarem em informações publicadas no Diário da República.
“Não se trata apenas de um episódio isolado. Em poucos meses de mandato, Luís Filipe Menezes tem contribuído para um ambiente político caracterizado pela tensão, pela hostilidade e por sinais preocupantes de desrespeito pelas regras fundamentais do funcionamento democrático”, afirma ainda a distrital socialista.
Direção de Informação da Lusa envia carta a autarca de Gaia após acusações de manipulação
Considerando que o ataque a órgãos de comunicação social e a jornalistas “enfraquece a democracia, empobrece o debate público e afasta os cidadãos das instituições”, a Federação Distrital do Porto do PS defende que Luís Filipe Menezes deve “retratar-se e pedir desculpa”.
Numa nota divulgada na quinta-feira, a DI revelou ter enviado uma carta a Luís Filipe Menezes “repudiando as acusações que o seu executivo dirigiu à agência”. Na carta, a DI criticou a postura do executivo, após as alegações de “tentativa de manipulação” contra a agência.
O comunicado, em termos que a DI considerou “muito gravosos para a agência e para o jornalismo”, fazia referência a uma notícia da Lusa publicada no Jornal de Notícias, com base em informações oficiais do Diário da República.
A DI da Lusa informou que conversou com os jornalistas, que destacaram que “foi dada oportunidade à câmara de se pronunciar sobre os factos noticiados, o que não foi aceite”, resultando na publicação do comunicado “pouco depois”.
“A DI expressou ainda o seu repúdio pelos termos em que o comunicado aborda a questão, extrapolando para o exercício da profissão de jornalista, com palavras que consideramos ofensivas e lamentáveis”, acrescentou na nota.
A DI manifestou preocupação em relação à repetição de casos desse tipo, afirmando que o jornalismo “é uma profissão que só pode ser exercida em liberdade”.
O Conselho de Redação da Lusa, por sua vez, expressou apoio à DI em comunicado.
“As acusações dirigidas à Lusa pela Câmara Municipal de Gaia são injustas e desproporcionadas, especialmente considerando que a notícia em questão se baseou exclusivamente em informação oficial publicada no Diário da República”, declarou o órgão representativo dos trabalhadores.
O Conselho de Redação da Lusa reiterou que esses ataques “não só desvalorizam o papel essencial da imprensa livre, como buscam fragilizar o exercício responsável da profissão”.
Recorde-se que, em abril, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, acusou o jornalista da Lusa João Gaspar de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política. A autarca acabou por retratar-se publicamente das suas acusações, reconhecendo que teve “um momento infeliz, que não se voltará a repetir”.
Em 4 de maio, a Comissão de Trabalhadores da Lusa denunciou ter sido alvo de comportamentos intimidatórios por parte de um funcionário do gabinete do ministro da Presidência, que supervisiona a comunicação social — conduta considerada inadequada pelo chefe de gabinete de Leitão Amaro.
No comunicado, a CT destacou que, “contrariamente à reunião formal com o ministro António Leitão Amaro, a qual decorreu de forma respeitadora apesar das divergências, o alto funcionário interpelou” a Comissão de Trabalhadores de forma “insultuosa e intimidatória, questionando a idoneidade dos representantes dos trabalhadores”.
