Sociedades Médicas Apresentam Queixa na Ordem dos Médicos Contra Manuel Pinto Coelho

O médico Manuel Pinto Coelho expressou, esta terça-feira, a sua disponibilidade para debater com “todos os colegas” a queixa apresentada contra si por três sociedades médicas junto da Ordem da classe. Numa nota enviada à Lusa, Manuel Pinto Coelho afirmou estar “disponível para debater com todos os colegas, com a humildade e a elevação que decorre do Código Deontológico da Ordem dos Médicos”.

“O debate não se faz por meio de queixas dirigidas à Ordem dos Médicos, e o processo de queixas não é o caminho para um debate de opiniões”, reiterou, sublinhando que “o que escrevi e continuo a escrever nos meus livros provém de 53 anos de prática clínica.”

Na manhã desta terça-feira, foi reportado que três sociedades médicas planejam apresentar uma queixa contra Manuel Pinto Coelho, que descreve o colesterol como um “aliado” e contesta a eficácia das estatinas, instando os pacientes a não abandonarem a medicação. Em uma nota conjunta enviada à Lusa em relação a uma reportagem veiculada pela TVI no sábado passado, as sociedades científicas de Cardiologia, Aterosclerose e Hipertensão advertiram que a apresentação dessas opiniões como um “outro lado legítimo” da medicina representa “um risco à saúde pública”.

Elas lembram que as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares são responsáveis por 26% das mortes em Portugal, sendo que 80% desses óbitos poderiam ser evitados com a adoção de estilos de vida saudáveis e a adesão a medidas de prevenção terapêuticas, incluindo medicamentos que reduzem o colesterol (como as estatinas).

As sociedades advertiram ainda que promover “teorias pseudocientíficas” que negam a função do colesterol nas doenças cardiovasculares — “um dos pilares do tratamento para pacientes pós-enfarte e pós-AVC [Acidente Vascular Cerebral]” — pode levar à suspensão de terapias e ao surgimento de novos eventos cardiovasculares.

“Esse efeito nefasto está amplamente documentado nessas situações”, afirmaram a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) e a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) em um comunicado conjunto.

Elas destacaram que “a ciência não se baseia em sondagens, opiniões ou palpites”, mas sim em evidências que consideram inequívocas a respeito do risco associado ao colesterol elevado. “Já existem sérios problemas de adesão às terapias que resultam anualmente em milhares de vidas perdidas”, alertaram.

As sociedades científicas contradizem as opiniões de Manuel Pinto Coelho sobre o colesterol, esclarecendo que todas as principais agências globais — incluindo a Organização Mundial da Saúde, a Sociedade Europeia de Cardiologia e a American Heart Association — “confirmam o colesterol LDL como uma causa direta de aterosclerose”.

“O risco é real: interromper o uso de estatinas, motivado por informações pseudocientíficas, está estatisticamente associado a um aumento imediato de enfartes e AVCs”, afirmam as sociedades médicas, ressaltando que “dar a mesma importância a um consenso científico de mais de 50 anos e a uma opinião desprovida de base científica cria uma falsa dúvida no cidadão”.

Elas também pedem à população que não suspenda a medicação sem antes consultar seu médico, pois apenas ele pode avaliar a relação risco-benefício dos medicamentos prescritos, alertando: “A desinformação pode ser tão letal quanto a doença.”

A SPC, a SPA e a SPH anunciaram que irão formalizar uma queixa ao Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos, solicitando “a reposição da verdade científica”.

*Notícia atualizada às 23h20 com a reação de Manuel Pinto Coelho

ondaCoimbra.pt
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