Os limites máximos dos preços “moderados” propostos pelo Governo são superiores aos valores medianos de venda e de renda praticados em cada um dos 308 municípios de Portugal, incluindo Lisboa. De acordo com o Público (acesso pago), a área útil média das residências em Portugal é de 112,45 metros quadrados. O preço mediano de venda é de 1.845 euros por m2, enquanto a renda mediana se situa em 7,97 euros por metro quadrado. Assim, uma casa com área média em Portugal é vendida por um preço mediano de 207.470 euros e arrendada com uma renda mediana de 896 euros.
Isso indica que os limites máximos dos valores “moderados” sugeridos pelo Governo são três vezes superiores aos preços medianos de venda e 2,5 vezes superiores às rendas medianas observadas em todo o país. Em Figueira de Castelo Rodrigo, o município mais acessível de Portugal, o limite máximo do valor “moderado” para venda pode chegar a ser 30 vezes superior ao preço mediano ali encontrado. Somente em 56 municípios, o valor “moderado” proposto pelo Governo para venda é mais de dez vezes maior do que os preços medianos ali registrados, sendo que em cinco desses locais o valor “moderado” ultrapassa em mais de 20 vezes os preços medianos encontrados.
No que se refere aos valores de renda, a análise é parcial, pois não há dados para 96 dos 308 municípios portugueses, uma vez que não foram celebrados contratos de arrendamento suficientes nessas áreas. Apesar disso, os dados disponíveis indicam que, embora a diferença seja significativa, a discrepância entre as rendas “moderadas” e as medianas não é tão acentuada quanto nos casos das vendas. Em pelo menos 35 municípios, o limite máximo da renda “moderada” de 2.300 euros é pelo menos cinco vezes maior que as rendas medianas observadas ali.
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
Como? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, opiniões relevantes, reportagens e especiais que apresentam outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o compromisso com um jornalismo independente, rigoroso e credível.
