O candidato do Chega à Câmara do Porto afirmou, neste domingo, que está disposto a dialogar “com todos os eleitos” após as eleições autárquicas do dia 12, mas observou que será “difícil” interagir com “quem deseja manter os problemas”.
“Vou conversar com todos os eleitos. No entanto, defendemos a mudança, pois não acreditamos na direção atual da cidade. Porto está repleto de problemas, e as candidaturas do PS e do PSD representam uma continuidade, com uma visão semelhante”, disse ele no início de uma ação de campanha no Parque Oriental, em Campanhã.
Quando questionado se suas condições para diálogo dependeriam de determinados temas ou medidas que o Chega poderia exigir, com base no número de vereadores que eleger, Miguel Corte-Real reafirmou que “em qualquer circunstância” o partido terá “força para exigir”.
“As nossas prioridades são as questões relacionadas com a qualidade de vida das pessoas. Existe uma clara intenção de não mudar nada. O que vemos é uma maquiagem por parte do PS e do PSD, o que torna desafiador colaborar com aqueles que preferem manter os problemas”, enfatizou.
Para Miguel Corte-Real, “a questão da segurança não se resolve com o primeiro-ministro [Luís Montenegro] fazendo um espetáculo de campanha aqui, apoiando o Pedro Duarte [PSD/CDS-PP/IL] e prometendo ‘trazer 100 polícias’”.
“A promessa de 100 polícias não é uma solução mágica. Há três anos era uma boa proposta, mas agora? Isso é demagogia, é populismo. E não sei em que contexto se faz necessário trazer o presidente do partido ou o primeiro-ministro para dizer ‘vou ajudar o Pedro Duarte’”, acusou.
Para ele, o chefe do governo “precisa é de ajudar o Porto”.
O candidato do Chega também criticou Pedro Duarte, afirmando que “ele demonstra um desconhecimento sobre o Porto e possui uma visão equivocada da cidade”, focando-se apenas em “chavões”.
Miguel Corte-Real ainda criticou o adversário Manuel Pizarro (PS), que “hoje vem falar sobre habitação”, quando nos últimos 12 anos “durante quatro anos o vereador da habitação foi Manuel Pizarro e nos quatro anos seguintes foi o seu número dois, Fernando Paulo”.
“Repentinamente, ele apresenta uma solução milagrosa para a habitação. Isso prova que estamos numa campanha que se assemelha a uma simulação”, disse o candidato do Chega.
Corte-Real garantiu que, “se os portuenses acharem que o Chega não deve ganhar, ele continuará a trabalhar pelo Porto”. “Não estamos aqui apenas por uma vez, não é um último tiro, nem uma passagem pelo Porto”, ressaltou.
Para o candidato, “a prova de que o Chega pode mudar a vida das pessoas, tanto no poder quanto na oposição, é a recente lei da imigração, onde o Chega não está no governo do país e conseguiu impactar a vida das pessoas”, argumentou.
Concorrendo à Câmara do Porto estão: Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
A atual administração é composta por uma maioria de seis membros do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, com os restantes dois membros sendo do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
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