Falta de dados leva-me a duvidar da qualidade da declaração” afirma defensor de Costa

Falta de dados leva-me a duvidar da qualidade da declaração" afirma defensor de Costa

Dois anos após a demissão de António Costa do cargo de primeiro-ministro, as investigações que deram origem ao caso permanecem sem avanços. O advogado do ex-primeiro-ministro expressa incertezas sobre a “bondade e utilidade” do comunicado emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que desencadeou o processo.

Em declarações, João Lima Cluny, que representa António Costa, afirma não ter informações para compartilhar sobre a Operação Influencer.

“O que posso dizer é que essa falta de informações me leva a questionar a utilidade do comunicado publicado em 7 de novembro de 2023 pela PGR,” declarou.

Quando questionado se havia alguma indicação sobre o prosseguimento do processo ou se existiam diligências em andamento, João Lima Cluny reafirma a ausência de informações: “Já passaram dois anos desde o dia 7 de novembro de 2023. Mais de dois anos desde que, segundo a PGR, o processo foi instaurado e continuamos na mesma situação.”

O advogado de António Costa não quer especular sobre os motivos da demora: “Não faço especulações. Isso deve ser esclarecido pela Procuradoria-Geral da República.”

A PGR não respondeu a solicitações de esclarecimento sobre as datas dos recursos interpostos e se isso afeta o inquérito autónomo no Supremo Tribunal de Justiça que envolve António Costa.

Por sua vez, a antiga diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida Almeida, afirma não estar surpresa, mas sim “expectante” quanto ao desdobramento do processo.

“Se for confirmado que o processo está parado ou que não foram realizadas diligências relevantes, isso realmente me surpreenderia. Mas não sei se estão realizando investigações complementares, se esse processo aguarda conclusões de outro ou vice-versa,” destacou a Procuradora-Geral Adjunta jubilada.

Nesta sexta-feira, o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, informou que o processo se encontra parado devido a recursos que visam impedir o acesso à investigação dos e-mails apreendidos.

“Foi apreendido o correio eletrónico no âmbito do processo. Os arguidos recorreram, e enquanto não tivermos acesso a essas informações nos e-mails, não podemos avançar, pois dependemos de um recurso no Tribunal da Relação que ainda está por ser apreciado,” afirmou aos jornalistas durante um evento na PGR.

ondaCoimbra.pt
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