A classificação política entre esquerda e direita, que se originou na Revolução Francesa de 1789, representa um grande embuste na política global. Aqueles à esquerda defendiam a república e o fim da monarquia, enquanto os da direita, com rendimentos mais altos, apoiavam uma monarquia constitucional não absolutista.
Com o passar do tempo, a maioria dos meios de comunicação participou ativamente das correntes de esquerda para perpetuar a ideia de que a esquerda é “boa” e a direita é “má”.
Essa crença é um grande engano. Vejamos alguns exemplos.
Na Rússia comunista após 1917, o governo reprimiu políticos, religiosos e raciais, matando opositores ou enviando-os para campos de gulag. Nos países com imprensa livre, isso foi ignorado, pois contaria contra a narrativa de que a esquerda é “boa”. Em Portugal, políticos de esquerda do século XXI afirmam desconhecer a existência desses campos.
Na Alemanha nazista a partir de 1933, o Estado também exerceu repressão política e matou opositores, ou prendeu pessoas em campos de concentração. Esta informação foi amplamente divulgada nos meios de comunicação, por ser coerente com o reconhecimento da direita como “má”. Contudo, em Portugal, nenhum político atualmente ignora esses campos de concentração.
Na Rússia comunista, o governo confiscou propriedades agrícolas dos “ricos” e as entregou aos camponeses “pobres”, nacionalizando-as posteriormente. Isso foi amplamente divulgado, pois se encaixava na narrativa de que a esquerda é “boa”.
Por outro lado, na Alemanha nazista, o Estado regulou a economia e criou empresas públicas, como a Volkswagen. No entanto, essa informação foi silenciada quando se tratou da direita.
A censura dos meios de comunicação também ocorreu tanto na Rússia comunista quanto na Alemanha nazista, mas com tratamento diferente: enquanto a primeira foi ignorada, a segunda amplamente noticiada.
Em síntese, os meios de comunicação selecionam o que veem como “bom” e silenciam o que consideram “mau” quando se refere a regimes de esquerda, adotando o oposto para regimes de direita.
Como consequência, mesmo a Rússia comunista, que precedeu a Alemanha nazista em políticas opressivas, é percebida como de direita.
Podemos perceber essa distorção em relação à China, uma ditadura de esquerda que é apresentada positivamente pelos meios, embora também pratique censura e repressão política, segregação étnica e religiosa, controle econômico e vigilância sobre a população.
Felizmente, surgiu o politicómetro, uma ferramenta que desmistifica este enredo.
O politicómetro ajuda a compreender a fundamentação e a motivação por trás de qualquer política, posicionando-a no contínuo entre esquerda e direita.
As políticas de esquerda priorizam o Estado sobre o Indivíduo, enquanto as de direita têm o oposto como base.
Porém, os políticos de esquerda deformaram essa classificação, considerando “bom” o domínio do Estado na economia e “bom” o primado do Indivíduo na convivência.
No meu artigo anterior, “O politicómetro explica a voragem fiscal”, abordei como, numa sociedade, as políticas se agrupam em dois eixos principais: convivência e economia. Os diagramas a seguir ilustram o posicionamento dos partidos conforme o politicómetro e segundo o engano da esquerda:
Partidos à esquerda (PCP, BE, LI, PS) apoiam políticas que favorecem o Estado no eixo econômico (como estatais monopolistas e preferência do Estado na saúde), o que faz com que sejam retratados positivamente pela mídia. Simultaneamente, defendem políticas de direita (primado do Indivíduo) no eixo da convivência (como penas de prisão leves e permissividade em questões de imigração) e continuam a ser vistos como “bons”.
Por outro lado, partidos tidos como de direita (IL, PP, PSD), que promovem políticas de direita na economia (como a redução do monopólio estatal), são frequentemente retratados como “maus”, independentemente de sua posição sobre questões de convivência. Um caso interessante é o partido CH, considerado de direita, mesmo defendendo o primado do Estado em ambas as áreas.
O embuste se perpetua!
Isso é usado para afirmar de forma falsa e hipócrita que ser de esquerda é “bom” e ser de direita é “mau”.
Na realidade, apenas os extremos são problemáticos. Tanto as abordagens extremas de direita em imigração como as de esquerda em nacionalizações têm se mostrado prejudiciais ao país.
Quando será que os meios de comunicação deixarão de tolerar essa ilusão?
Não sei, mas espero que se confirme o que Abraham Lincoln disse a partir do pensamento de Jacques Abbadie: “É possível enganar todos por um tempo; algumas pessoas o tempo todo; mas não é possível enganar todos o tempo todo”.
Conheço socialistas honestos e competentes que acreditam no primado do Estado em diversas políticas. Confiam (ingenuamente) que quem aplicará essas políticas será tão honesto e capaz quanto eles. Não há garantias disso, e há muitas evidências em contrário, com corrupção e abuso de poder à mostra.
O principal dilema das políticas de esquerda é a impossibilidade de limitar os abusos do Estado. Este problema não ocorre nas políticas de direita, onde o abuso pode ser restringido pelo poder coercitivo estatal. Isso já foi observado em diversas questões, como no emprego infantil.
Como Friedrich von Hayek destacou em “O caminho da servidão”, as políticas de esquerda tendem a incrementar o poder do Estado e a força coercitiva associada, como evidenciado pelas regulamentações rigorosas em várias indústrias, o que está prejudicando empresas na Europa em relação a concorrentes globais.
Nos regimes totalitários e na Europa, especialmente em Portugal, a sociedade é dominada por políticas de esquerda que reforçam o crescimento do Estado.
