A rede de água em Portugal está a perder uma quantidade significativa. Em 2024, o regulador do setor calcula que tenham sido desperdiçados 187,3 milhões de metros cúbicos de água durante o seu percurso até às casas dos portugueses, o que equivale a 8,7 piscinas olímpicas por hora, resultando num custo aproximado de 158 milhões de euros.
Esses dados foram divulgados na sexta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos, no seu Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos de Portugal (RASARP) referente a 2024.
Se 80% das perdas reais de água no sistema fossem eliminadas e 10% das águas residuais tratadas fossem reutilizadas, poderiam ter-se economizado 158 milhões de euros no ano passado. Esse valor poderia ter sido “poupado” pelos consumidores, caso os custos de gestão de resíduos estivessem integralmente refletidos nas faturas, o que não acontece em grande parte do país. Nessas situações, o custo recai sobre os municípios, resultando em danos nos orçamentos municipais.
A presidente da ERSAR, Vera Eiró, afirma que “a primeira solução” para melhorar o desempenho do setor é combater as perdas. Em seguida, é crucial aumentar a reutilização de água e, por último, considerar a produção, normalmente efetuada por meio de dessalinização.
Questionada sobre as ações em curso a nível nacional para reduzir as elevadas perdas, Eiró destaca a estratégia implementada pelo Governo em março passado, denominada Água que Une, que mostra uma “grande preocupação” com estes desafios, sendo “fundamental” a sua aplicação.
Além de prever investimentos diretos para combater as perdas, a estratégia antecipa cerca de 40 milhões de euros em investimentos para melhorar o conhecimento do setor, através da digitalização e aprimoramento de dados. “O conhecimento nos ajuda a agir e tem sido essencial para a nossa intervenção”, refere Eiró.
Existem muitas entidades gestoras, muito pequenas, que estão em situação complicada no que diz respeito à cobertura de custos [apresentando tarifas muito baixas]. Isso dificulta bastante os investimentos por parte dessas entidades.
O relatório também revela que a porcentagem de renovação das redes é de apenas 0,5% por ano, enquanto o mínimo necessário seria de 1,5%. A cobertura de gastos, que reflete a capacidade das entidades gestoras de recuperar os custos associados à sua atividade, é um fator que impacta negativamente a capacidade de investimento. De acordo com a presidente do regulador, esse indicador, em média, “não está mal” para abastecimento de água e serviços de saneamento. No entanto, “a média oculta diversas realidades”.
Por um lado, existem entidades gestoras de grande dimensão, que atendem a muitas pessoas e possuem tarifas “adequadas” que garantem a sustentabilidade financeira da atividade. Por outro lado, “muitas entidades gestoras, muito pequenas, têm sérias dificuldades com a cobertura de gastos [com tarifas excessivamente baixas]. Isso dificulta muito o investimento e agrava os problemas dessas entidades”, observa Vera Eiró.
